terça-feira, setembro 21, 2010

O balanço da rede

Novos meios, velhos fins. A internet abriu a porta da informação, isso é muito revolucionário mesmo, dando conhecimento ilimitado pra quem quiser procurar. O problema é que apesar disso, não houve revolução social nem nada. Os meios de informação existem, você pode saber a verdade sob qualquer tablóide pela boca de intelectuais de todos os continentes, se entender o ingles arrastado. Então seria de se esperar uma grande guinada de opiniões, uma vez que toda a mídia velha é dominada pelos muito ricos, passando sempre ficção científica pra massa. Agora que temos os porquês na mira do mouse, deveria estar todo mundo na rua, mudando o sistema. Mas não. Fico pensando em como mudar isso, como jogar a favor das correntes e usar a rede pra dar update na cabeça da galera.
O que se vê é que a maioria usa a internet para continuar em sua bolha local. Segundo estudo das empresas Pew e Nielsen, o tempo gasto atualmente em internet no mundo é dividido entre: 1)Ver conteúdo fixo (42%), 2)”Atividades de meio”: Email, compras, buscas, etc (36%) , 3)Redes sociais (22%). E todas elas podem assumir um caráter tão quadrado e localizado quanto da TV.
O conteúdo visto é canalizado por grandes portais de informação, como na mídia antiga, porém com trabalho jornalístico ainda pior, o que favorece os sites das próprias agências velhas. O jornalismo e criticismo produzido por blogs tem grande dificuldade de exercer democracia, uma vez que os mais lidos quase sempre são filhos de grandes marcas. Os que conseguem um lugar ao sol não são capazes de competir com a representatividade dos grandes portais, e acabam sendo contratados por algum setor de poder para se sustentarem. Outro acesso a conteúdo é por meio de indicações de amigos, e isso vou explorar adiante.
Eu chamei de atividades de meio aquelas que não tem um conteúdo por si só, mas só apenas formas de acessar e transmitir. Também ficam localizadas, pois o email trabalha principalmente com conhecidos, a busca é por termos do seu universo local, as compras são apenas extensão do que se compraria no shopping, com as mesmas necessidades artificiais. O google.com recebe 80% das pessoas que navegam, usando quaisquer destas funções. Mais uma vez, tudo encaixotado no modo de vida individual não dá asas a ninguém, uma pena.
As redes sociais são a faceta que mais cresceu nos ultimos anos, sendo que já são acessadas por mais gente do que os serviços de email (aprox. 70% de todos usuários). O Brasil é onde as redes sociais são mais fortes: 80 a 90% dos internautas acessam, mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Será pela cultura do corpo sarado brasileiro? A rede social consiste em fotos e conversas abertas para um grupo de amigos, de modo que você pode não apenas ter as relações, como mostra-las, ao contrário do imediatismo da vida real, ou da privacidade do email. Outra vantagem sobre a comunicação privativa é poder passear por catálogos de pessoas, vencendo a timidez e a rotina com um comentário amistoso aqui e ali. Ao contrário do que se imaginaria, no entanto, o alcance da rede é mitigado pela opção por privacidade, e na maioria das vezes se tem muito menos acesso online a novas pessoas do que se teria na rua, no bar. O que a rede disponibiliza são fotos e nomes, e as informações de perfil raramente ajudam a fomentar um diálogo, uma vez que se compõem por letras de música sem contexto. Acaba sendo uma atividade individual de passear por fotos de gente bonita, sem qualquer integração ou rompimento com a conhecida superficialidade da tv.
Ao que tudo indica, a internet está falhando em realizar seu potencial de democratização e união dos povos. Está funcionando mais como linhas e núcleos do que como rede realmente. Temos então que utilizar ao máximo as ferramentas que existem, mas sem alimentar falsas esperanças de que o saber é absorvido por osmose se houver acesso. Estão todos ocupados trabalhando e competindo.
É preciso haver um trabalho de evolução da internet, de sentimento de necessidades em conjunto. Não consigo prever direito como, mas a informação democrática deveria ouvir todos ao mesmo tempo, e nunca grandes veículos particulares. Talvez com um grande processador de pareceres individuais a massa poderia despertar por si só.. mas isso já foi pensado e deturpado nos videogames “Metal Gear Solid”. Por enquanto a internet é injusta.
Se o mundo real ainda impera, são as relações locais e pessoais que poderão romper com a hegemonia dura. Explorando o veículo de comunicação pra falar com pessoas conhecidas, pode-se extender o ambiente de conversa de bar para um grupo maior, mas ainda pautado por relações pessoais de confiança e interesse, senão não funciona. Por isso, pra tirar o máximo proveito da internet, na verdade você tem que sair dela, participar de discussões, trabalhos e amizades em carne-e-osso, onde se pode dar acesso a informação meio que empurrado, já que a boa educação ensina a prestar atenção no que se está conversando. Falando cotidianamente de feminismo e socialismo, por exemplo, eu posso dar acesso a informação de qualidade a quem nem internet usa, até a quem assiste novela. O poder da conversa de cabelereira, de garçom, de taxista é fantástico se puder expor o outro mundo possível. É aquela máxima de pensar globalmente e agir localmente, no âmbito mais importante, o da informação. Por isso falo a vocês, meus amigos. E convoco todos os idealistas a serem tagarelas de bar!
Fontes: http://www.visualeconomics.com/how-the-world-spends-its-time-online_2010-06-16/ http://www.internetworldstats.com/stats.htm

sexta-feira, setembro 10, 2010

O ninho do tigre

1) A velha entra na sala mancando, a perna carcomida exalando o cheiro de sempre, cheiro de pronto-socorro, de pedaço que morreu e não avisou o dono. Modelo completo: diabetes, hipertensão, tabagismo, obesidade, colesterol, e "só dois dedinhos de cachaça no almoço" por 50 anos. -Dói a perna há 6 meses, não tem um remédio? - Mão na testa, olho no relógio, faltam 10 horas de plantão. O dia-a-dia de hospital é isso, uma impotência, um eterno “sinto muito, seu corpo está em frangalhos e não temos o que fazer”. Fico me sentindo um homeopata, porém honesto. Pra que serve medicina então?

O que salva vidas não é o atendimento médico de urgência. Aquilo é bacia das almas, quebra galho pra meia dúzia de mal-aventurados, pra quem muitas vezes não há o que fazer, realmente. O que não se pode subestimar é o valor da ciência de saúde humana, nisto incluindo médicos, químicos, físicos, etc. Esta ciência sim mudou completamente nosso modo e expectativa de vida, norteando os padrões de habitação, alimentação, higiene e atividade física, além de intervenções diretas, como as vacinações e programas de saúde preventiva. Mas ainda há uma barreira entre a realidade dos meios de saúde e a concepção popular do médico e do hospital. É isso que precisa mudar. A senhora-tigre que chegou andando na primeira linha deveria ter uma noção geral de como as doenças crônicas que enumerei vão estragar seu corpo sem que ela sinta quase nada, e depois do estrago nenhum remedinho irá de fato remediar a situação.

A saúde é mal distribuída, sim. Mas mesmo com um batalhão de médicos não se poderia seguir esperando o povo ficar doente pra vir nos 15 minutos de consultório ter uma formação de opinião sobre saúde. Essa história de CONSULTE SEU MÉDICO pra tudo gera um misticismo sobre doenças e remédios, como se fosse só parar na oficina e seu corpo sair novinho, pronto pra mais 100 anos de podridão. Talvez um dia.

Por enquanto, é necessário conscientizar todo mundo de que VIDA se deve levar pra evitar aparecimento e complicações de doenças comuns. Qualquer um sabe que cigarro faz mal, mas esta idéia vaga não dá liberdade de escolha real. Dá câncer, mas quase ninguem sabe o que é câncer. Saber que mata não é o bastante, se vamos morrer de uma forma ou de outra. Além disso, morrer é a parte mais fácil dessas mazelas todas, o problema é o caminho até lá. Tigres sofrem um bocado.

2) Nisso de conscientizar, o médico tem as mãos atadas. Além de ter pouquíssimo tempo no amontoado de pacientes que tem de atender, seja por lucro ou por demanda local, ele lida com adultos, o que estraga de vez o resultado. Adultos não se convencem de nada. Sou o mais cabeça-aberta dos que conheço e demorei quase 5 anos pra virar socialista, mesmo com doses diárias de injustiça social aonde quer que eu fosse em São Paulo e amigos tentando me explicar. Sim, acredito que adultos podem mudar radicalmente de opinião, mas a um custo de tempo e retórica totalmente inviáveis em larga escala. Quem tem que aprender sobre o mundo são as crianças.

E novamente não pelo médico. Quem tem tempo de estabelecer um canal de comunicação de confiança com os pequenos é o professor, o ambiente escolar. Entendo que o currículo escolar tem seus usos, porém é totalmente desligado da vida real. Eu gosto de saber distinguir distância, velocidade relativa e aceleração quando estou num veículo. Mas a escola deveria ensinar conteúdo mais pragmático, como cuidar da própria saúde, política atual e seus motivos, legislação, culinária, ensinar a realidade da cidade e do campo, formar um adulto. Seriam coisas muito mais úteis agora, do que reconhecer o filo da água-viva (por mais interessante que seja)... Acaba sendo uma questão mais ampla, da função social da escola. Enquanto a escola está ensinando terciarismos, quem “educa”(e tortamente) pra vida é o desenho animado, o rambo, o DATENA!

Há um cuidado em não falar muito de realidade com a criança, pois é jovem e inocente. De que adianta formar um bocó de 18 anos que em 5 minutos de realidade muda todos seus conceitos de vida? A criança precisa ver que tem gente passando fome, que o dinheiro acaba, que doença e cigarro mata com sofrimento, saber quem planta a comida e quem queima a comida pra subir o preço. Quase todos adultos de hoje teriam de ser re-alfabetizados num sistema desse. Não é nem questão de melhorar a saúde da população, estamos falando da saúde da sociedade mesmo.

domingo, junho 13, 2010

Olho no lance..vendido!

Começou a copa, vi 5 jogos inteiros em 2 dias. É sempre um momento especial pra mim, o único na verdade em que paro para acompanhar esportes, além das finais do são paulo. Eu achava que era um evento mais puro, com menos interesses comerciais que os torneios de clubes. Mas vendo a carga publicitária que foi veiculada em qualquer midia nos ultimo meses, vejo que fui inocente.
Eu tenho um receio muito grande com esportes. Começou quando pequeno, ao sentir o desespero das competiçoes de natação e de judô sem nem saber pra onde eu estava indo na vida, comecei aos 6, 7 anos! Desde então, com aulas de História mostrando que o pão e circo romano ainda estava a pleno vapor, com amigos e parentes falando exclusivamente disso em reuniões, com um irmão dedicando horas diárias a ler dezenas de blogs de comentaristas esportivos, fui pegando uma nhaca real da coisa toda..menos da copa.
O futebol de clubes só fala de salarios, compra e venda de jogadores, estica os campeonatos pra arrastar milhões aos estadios durante o ano todo, faz os fãs comprarem camisa pra mostrar a força do time, além da publicidade para emissoras, estadios, uniformes. All about money, e o povo compra, discute e rediscute na maior profundidade uma coisa que é igual todo ano.
Eu pensava que a copa era mais tranquila, pois nao havia negociaçao de jogadores, salarios discrepantes, unia o país. Mais aí que está. Ao unir cada país em seu territorio, obtem-se uma unanimidade mundial de ânimos, e então basta adquirir o titulo de patrocinador oficial para fazer uma campanha publicitaria monstruosa, mundial, sem birra por parte de ninguém. E daí nos países tem os patrocinadores de seleção, que dão mais força ainda à magia pois vinculam a paixão do torcedor à marca do produto. Isto não pode ser feito nos clubes, pelo menos no brasil, pois os campeonatos sao razoavelmente equilibrados e geraria mais birra do que simpatia por um produto se associado a um time.. Eles estampam a camisa, mas não fazem alarde do vínculo. O mais perigoso que vi recentemente foi a Bozzano (marca de cosmeticos masculinos) que patrocinava o corinthians e fazia propaganda da marca nos intervalos de jogo, como se a torcida corinthiana fosse realmente seu alvo, seu nicho. Me confundiu a estratégia deles, quando nas etapas finais do paulista passaram a estampar a camisa do São Paulo..não consegui entender a quem se dirigiam.. Mas a publicidade tem isso de espalhar o nome, nao importa o efeito.. pelo menos ficou gravado na minha cabeça o fabuloso slogan: "Bozzano, é bom!"
Bom, acho complicado ficar repudiando a publicidade que sustenta o sistema, acho menos hipocrita te aconselhar a repudiar o próprio sistema, pois o povo trabalhador(mesmo de terno) é ignorante e não tem tempo de levar a culpa. Vamos sorrir, acenar, e mudar o sistema no 2o tempo. Raça Mundo!
*Ah, que fique claro que apoio ferozmente a pratica de esportes para fins recreacionais e de saúde. O veneno está na competição e na grana, divindades tipicas capitalistas, aliás.

sexta-feira, junho 11, 2010

Nós que aqui estamos

Após mais uma tentativa de ler só material politico, me peguei lendo uma aventura de ficção nestas férias (A Estilha de Cristal). Ao começar tinha já o remorso de não estar consumindo nada util, nada que construisse minha argumentação para um mundo melhor. Foi uma aventura fantástica, com muito "near death experience" e sangue rolando. A narrativa é tão absorvente que o leitor se sente realmente a beira do fim em mais de uma ocasião. Tendo você escapado, milhares de companheiros não tiveram a mesma sorte, e tombaram, como diria o autor. Isso me fez colocar em perspectiva mais uma vez a fragalidade que é nossa vida, como tentamos fugir dessa realidade a todo custo, e como fazemos isso errado.
Morre-se facinho. Não se pode esquecer que mesmo com todas as politicas publicas de saúde, com repressão à violencia, airbags, antibioticos ou SAMU, mesmo com toda essa máquina de preservação, a vida se vai sem aviso. Ja vi vizinho que morreu de meningite em 1 dia, professor com cancer em meses. O noticiário (pare de assistí-los) sempre lembra: morreram tantos sem mais nem menos. Mas não queremos pensar nisso. Qualquer filme de drama nos assombra com ameaças de morte, é terrivel.
Acho que a opinião geral oscila entre não querer lidar com isso, seguindo as demais necessidades da vida (fome, contas a pagar), e lembrar da morte, momento apos o qual se passa algumas horas acreditando no Carpe Diem. De uma forma ou de outra, se fingindo de imortal ou desesperado, cada pessoa se individualiza, valorizando sua própria existência como se fosse tudo que lhe interessasse. Isso sim é muito triste. Pois ao erguer uma barreira entre sua vida e o mundo, se perde o mundo.
Ateu ou misticista, você deve perceber que tudo que fazemos e sabemos é graças à coletividade, intelectual e de ação, e que após nossa morte é este coletivo que permanece. Então que sentido há em lutar contra o fim por meio da individualidade, se esta ja o tem por certo? Não, para o resto do mundo não faz qualquer diferença se você aproveitou ou não o dia. Só sobrevive o que você deixa nos outros, constrói para os outros. Ao contrario da busca individual, que só cria ansiedade e incerteza, a aceitação de nossa fragilidade leva a humildade e paz de espirito, entendendo o próximo como a parte de você que de fato sobreviverá para contar história. Talvez por isso a solidão seja tão temida quanto a morte, são a mesma coisa na pratica..
Em vez de se preocupar com o tempo que lhe resta, use suas forças para fazer a diferença nas pessoas que te cercam. Pois os dias passam num segundo, e o provavelmente o lema mais apropriado para tudo valer a pena seja outro: Carpe Mundus.

sábado, maio 29, 2010

Broken Hands Syndrome

Somos sociedade, formigas. E sempre que fazemos qualquer coisa em grupo de mais de um, aparece aquela figura odiada, o quebra-mão. Ele está em todo tipo de trabalho, de pintar um mural na pré-escola, ao paper científico. Os lados são claros: quem fica trabalha mais pois há menos braços trabalhando; quem vai não gosta de fazer o trabalho e acha que sumindo não fará mal a ninguém. É um combate ferrenho, num tema que mobiliza nossa raça há milenios, que é a preguiça de trabalhar. É a base de toda a miséria humana e a luta de classes, mas por que? Cultua-se muito o trabalho e o bom profissional, ensinam que você deve fazer o que ama, não por dinheiro, não por fazer. Mas nosso corpo, cheio dos seus instintos, insiste em dizer algo feio no fim do dia: trabalhar é uma merda. Será isso por causa de fadiga natural, de falta de vocação ou do individualismo capitalista? Provavelmente as 3 coisas, mas acho que há um componente na própria relação humana também.
O trabalhar é desenvolver uma atividade para a qual você está capacitado, em prol de outra pessoa que necessita daquele serviço/mercadoria/insumo, perante troca de riqueza. Isso é interessante para a vida em sociedade, que pode usufruir de uma complexidade só assim possivel. Entretanto, nesta relaçao, a indiferença do consumidor perante tanta diversidade se choca com a mesmice no cotidiano do trabalhador. Quando uma mãe acha o médico cruel por não se comover com a doença de sua criança, ela não entende a realidade do outro de ver doentes todos os dias todo o dia, e a desgasta com xingamentos. É assim para garçom, segurança, vendedor, todos acabam sofrendo pelo outro não perceber sua rotina. Isso acaba tendo o efeito oposto, e em vez do profissional ter prazer na individualidade de cada dia, já fecha a cara para a esperada chatisse e perturbação. Raros os médicos que não satirizam o paciente pelas costas, raros vendedores que dão a mínima para a aquisição do comprador, é só mais um dia, só pelo dinheiro. Então se as pessoas fossem mais fraternas e com visão de mundo, o trabalho seria mais prazeroso. Mas e a carga horaria?
Dou plantões de 12horas, longas-mfing-12-horas, e sinto saturado já com 4,5 horas de atendimento. Entretanto, quando no colegial eu passava 12 horas jogando diablo 2, parecia meia hora, e dormia pensando em como amanhã seria divertido. É dificil comparar as duas coisas, mas dá pra ver que o cansaço fica em segundo plano se há gosto no que se faz. Como atingir isso no trabalho, se mesmo o mundo de diablo enjoa após alguns meses? Não dá pra manter o interesse em uma atividade que toma todo o seu dia, toda a semana. Enquanto o operário quer reduzir a carga horaria para 40h semanais, o bem pago quer elevá-la para 100 horas, se receber extra. De nada serve o dinheiro se não se tem tempo pra pensar, pra ter perspectiva, pra ver a cidade, a rua. Deve-se impor limites para a ganância, porque como qualquer droga sem controle, o acúmulo de riqueza corrói a vida do individuo e espalha o mal-estar social.
Tento culpar o dinheiro sempre, por desviar a atenção para fins egoístas, e não na importância social do trabalho que se faz. Mas eu trabalho de graça, e também não estou nada contente. Talvez seja porque estou inserido neste meio egoísta, entao ganhar ou não dinheiro não muda a gratificação. Ainda é um meio profissional, e nele não existe a diversão da vida particular. "Não leve trabalho pra casa" diz a auto-ajuda, porque ele é ruim, estressante. Então se eu levar a casa pro trabalho ele fica melhor? Pode-se ouvir música enquanto se opera uma barriga, colocar um tenis confortável? Por que, pra que essa seriedade toda, essa impessoalidade ligada a ser um bom profissional? Não pode falar palavrão, não pode fazer careta, no fim do dia sua cara está dura de tanto não sorrir. Esta entidade quadrada de profissional que foi inventada pelo mercado mantém a briga que o trabalho trava com a vida pessoal de cada um, e mal-estar goes on and on.
É preciso que fique claro de qual monta é a importância dessa discussão. O mundo, a realidade é feita de trabalho. Se colocarmos a mão na cabeça pra melhorar isso, é muito provável que tudo se encaixe de uma vez no planeta. Imagine não desejar "quebrar a mão", acordar de bom humor na segunda feira! Sucesso total.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Read on, dream no, live on

Fiquei uns 3 anos sem ler livros, e muitos mais sem ler livros que não ficção-aventura. Potter, vampiros, Tolkien, dragões, mangás diversos.. é a mesma historia dos videogames, um entretenimento muito bom, mas sem correlação com a realidade, nem continuidade. Vai, luta, salva o mundo, e vai embora daquele mundo, parte pro proximo. Se pudessemos nos desligar deste, os outros mundos são bem mais empolgantes..mas não. Não, quando vc tem fome e lembra de dinheiro e trabalho, tem de mexer seu velho corpo fisico e dar oi pras pessoas. Pessoas burras, iludidas, imortais, sozinhas num mundo todo errado.
1) Não-ficção: Ora, havia um mundo em que vc tinha q andar 6 meses por terras malditas, passando fome, pra, de cara com um vulcão, quebrar a mágica de um semi-deus. Em outro vc vai e volta no tempo, é atacado por dinossauros e robos, pra impedir q um meteoro COMA o mundo. E tinha aquele que vc treinava, morria, treinava-MORTO-q-nem-um-condenado-em-gravidade-aumentada, pra evitar que a galera morra na mão de uns lunaticos com rabo. Como podemos perceber, nossa Terra aqui é uma moleza. Se vc juntar as horas e energia gastas em entretenimento e problemas de fantasia, por interesse e NÃO por dinheiro, daria pra resolver aquecimento global, dividir renda e ainda sobrava um troco pra jogar Diablo III.
Mas isso não tem acontecido. Não sei se isso é mais uma manipulação do capital ou um sintoma natural do nosso hedonismo, sei que precisa ser corrigido ativamente. E dói um bocado. Trocar o Harry Potter pelo Hugo Chavez exije uma consciência que ainda estou maturando, com 20 anos de estudo. Imagina convencer as pessoas em massa a fazer isso. Talvez ser jornalista seja mais eficiente que ser presidente, pois se conseguir acender a cabeça do povo, pronto, tudo resolvido. Os movimentos sociais no Brasil, racharam e entraram em marasmo com a vitória do Lula, porque ficaram otimistas. Talvez criando um problema real e palpável (como um meteoro), sendo um puta capitalista cretino acordasse mais gente do que sendo um bom e orientado progressista. Era tão mais fácil dar espadadas...
2) Livros: porque é uma puta mídia! Eu achava que era porque nao tinha figuras, e vc tinha de usar imaginação com cenários, caras e vozes. Mas é muito mais que isso, é uma questão de ritmo. Enquanto se engole um filme em 2 horas, com informações constantes de visão e audição, num livro vc foca seu pensamento, as idéias são muito mais facilmente filtradas a cada segundo e podem ser digeridas num devaneio sem a necessidade de PAUSE. Não é só o que está escrito ali, são palavras encontrando toda sua experiencia e construindo sentidos que nem sempre estão colocados. Mesmo que o livro fale asneiras, vc tem liberdade temporal de abstrair e aprender com aquilo. Viva a escrita, bela idéia.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Ecstasy of Dream



Dizem que gosto não se discute. Eu sei que felicidade é relativa, mas uma vez que se conhece o melhor, nada mais o satisfará. Cuidado, então, ao ver trechos dos melhores concertos de música da história. Você ficará chato pra todo o resto... Bem vindo =)

quarta-feira, agosto 19, 2009

Equipe Multidescontrolada Nulidisciplinar


Qualquer aula sobre boa prática de medicina fala da interdisciplinaridade, como caracteristica fundamental de um hospital. Que todo paciente precisa de cuidados de varias equipes diferentes, com visões diferentes. Mas isso é uma grande bagunça, e poucas pessoas param pra pensar e valorizar esta interação. Temos vários profissionais solitários sob comandos diferentes, que se cruzam quietos no corredor todos os dias e nunca junto ao paciente. São realidades paralelas.Pra começar, são atuações completamente diferentes. A Enfermagem é o braço básico, que leva e traz pacientes, materiais, troca curativos e administra medicação. Tem na mão também o controle burocrático de tudo isso. Apesar de participarem muito do fazer, ficam de fora das principais decisões tomadas pela equipe médica. Isso cria um clima de médico-manda-enfermeira-faz, que apesar de real e combinado, é muito difícil de ser engolido. Resultado: birra. E isso só piora com o tempo, percebo que quanto mais o médico manda, menos o enfermeiro obedece, e a desconfiança impera. Em nossa enfermaria, exame pedido e medicação prescrita não tem muito valor, pois em um terço das vezes não é dado, não é feito. É preciso sempre procurar a enfermeira responsável, olhar nos olhos e pedir calmamente. O que nem sempre é viável. E isso prejudica quem?

A Fisioterapia age mais especificamente como parte do tratamento, ou recuperação após um tratamento, recondicionando principalmente o sistema locomotor e respiratório ao retorno as atividades, ou evitando sua debilitação profilaticamente. Mais uma vez, não está lá o tempo todo, e não é convidada para a discussão do caso, talvez por ter muito serviço. Fato é que ninguém sabe se a fisio veio, se o paciente fez, se melhorou alguma coisa, é um feedback difícil. O mesmo para fono.

A Nutrição vem, olha o cidadão magrinho e diz: dobra dieta, passa sonda, enfia feijão. Claro, na complicação que é a saúde, cada um só sabe fazer o que sabe fazer. Mas vejo constantemente os doutores ignorando tudo o que a nutricionista acabou de falar. ( -Mas ela disse.. –Ela não trata o paciente, eu trato! Eu!) E sim, elas vem bufando exigindo uma engorda geral, e parece até que os médicos estao deixando a galera de jejum na maldade. Ora, há indicações para jejum, para sonda.

A Psicologia é importante na humanização do atendimento, tirando tempo para conversar tranqüila com o paciente e extrair dúvidas ou angustias secretas. Aí ela vai comunicar pra equipe médica: chega sempre com cara dramática e conta o quanto o paciente está ansioso, triste e revoltado com o diagnóstico/tratamento. (-E o que você sugere que façamos? –Ah, não sei também, é difícil.) (Ou então vai no prontuário e põe: consulta psicologica realizada, ponto final. Só.) Oras, garanto que o médico também está, em grau diferente, ansioso/triste/revoltado pelo sofrimento do outro, mistério diagnóstico ou impotência de resolução. Talvez fosse o caso da psicologia passar pra conversar com os médicos também..dar um UP no clima hospitalar. Seria uma interação mais interessante talvez.

A Assistente Social é o coringa que resolve qualquer parada. Quando não há muito mais o que fazer pelo doente, e aparece toda a complicação de manda-lo pra casa, a a.social é chamada pra solucionar pepinos burocráticos(como endereço do paciente e área de cobertura do oxigênio). E apesar dessa importância, ela recebe informações breves da equipe e tem de trabalhar com isso, por metas muitas vezes aventureiras(-Liga la pro amazonas e descobre aonde esse Paciente vai pegar a Losartana.). Não traz também nenhum feedback ou análise da situação que avaliou. Só acaba com os problemas propostos, como todos os outros profissionais solitários da fauna hospitalar.

Enquanto o Médico (ou "a medicina", ja implicando sua hegemonia) atende, faz o diagnóstico e o planejamento de tratamento, tem a sensação de que tem todo o processo no bolso e vez ou outra passa por cima das decisões de outras áreas, o que desarticula de vez o diálogo interdisciplinar. Passa-se condutas cabeludas pra enfermagem (como levantar o paciente, limpar o coco, contar quanto xixi faz ), muitas vezes sem o médico nem parar pra pensar em como faria isso naquele paciente complicado. E nem procura saber, como se a enfermagem fosse o escravo que tem de dar um jeito, e azar.

Talvez além do diálogo seja necessária uma liderança única para mudar esse cenário. Mas mesmo assim a conscientizção de cada profissional da necessidade de troca de informações em equipe é válida no dia a dia, pois serve de alicerce para uma união administrativa dos setores, de modo mais natural. Vamo organizar essa parada.

domingo, julho 05, 2009

Vrum Vrum

Andavam de carro como muitas vezes faziam. Quando chegaram na altura da Rebouças com as Clínicas, o que dirige comenta do ato de banalizar aquele momento. Quando crianças, dirigir era tudo que a gente queria, e agora, andamos sem prazer nenhum. Imagine um brinquedo desse tamanho! O companheiro riu e concordou.
Quantos não sonharam em ter um buggy, ou o tiveram?
Lembro que uma vez, aos oito anos, discuti com alguns amigos da classe sobre as vantagens e desvantagens de ser adulto. Eu e uma amiga defendíamos que o melhor seria ser sempre criança, não queríamos crescer.
[E mesmo que não fizesse diferença, tentamos torcer para que isso não acontecesse, ou outra coisa supersticiosa]
Um amigo, no entanto, queria crescer, e um dos argumentos que ele usou foi que queria dirigir. Na hora falei que deveras seria bom dirigir, que valia a pena ser adulto para fazê-lo. Hoje acredito que nem naquela hora me convenci.
Voltando ao cruzamento da Rebouças com as Clínicas. O motorista acelera, Iupiiiiii!. A carona acompanha na empolgação, e os dois gritam tentando buscar o prazer que uma criança sentiria nisso. Os gritos acabam perto da Brasil.
A responsabilidade quando se adquire um automóvel pesa tanto que hoje em dia não faz diferença, defendeu a carona, buscando a solução mais próxima para o constrangimento que foi se esquecer como se diverte uma criança.

Eu nem vi quando foi a transição... era pequeno, pagava pau pro buggy do meu amigo, um quadriciclo na verdade. Daí, em equitação pensava como era bom cavalgar, ser impulsionado como nas costas do meu pai. Constantemente sonhava com meu poder de voar, batia os braços de levinho pra impulsionar e alcançava os maiores andares do meu prédio, era fantástico se mover.
Porém nunca associei essas sensações ao andar de carro com os pais, era mais como um quarto parado. Talvez por estar sempre no banco de trás, não sentia como se o carro fosse extensão do meu corpo.
O tempo voa mais que eu-no-sonho e quando lembrei de cavalos, já estava com o ronco da motobike entre as pernas, tinha 18 anos. E sim, foi muito divertido no começo, cada ladeira que pegava era um sorriso e arrepios. Daí fui pra São Paulo aos 20, e tive de pagar a gasolina, mostrar documento pro guarda, andar na chuva, derrapar na chuva, estacionar na chuva. Aos poucos foi ficando mais fatigante se deslocar dirigindo, com toda responsabilidade implicada. Vou à aula de metrô.

Por Rael e Lia

terça-feira, junho 30, 2009

Mude o mundo



Grande Michael =´(

*Preciso falar um pouco: Eu tinha 6 anos quando uma fita me fez começar a ouvir musica. Thriller - Billie Jean - Beat It. Realmente importante pra sempre. Muito Obrigado.

Elixir

Lembrei de um debate em sala, sobre a medicina ser ou não uma ciencia exata. Ergui a mão e disse que ela será exata no futuro e poderá(deverá) ser feita por robôs. Ouço deboches até hoje.
-Mas, e o mistério do eu, a individualidade do paciente, a arte médica?- Diariamente ouço grandes médicos ressaltarem que condutas diferentes podem se pautar na experiência de cada profissional,mesmo sem evidência cientifica, pois cada caso é um caso e blablabla. Mesmo após anos de curso médico, a muitos colegas não fica claro esse pensamento secreto da classe médica. De que podemos ficar tranquilos e fazer raciocínio de tartaruga pois o corpo é muito complexo mesmo e as doenças estarão sempre aí. De que só precisamos manter o coleguismo e a força da profissão que ganharemos nosso dinheiro, acima de qualquer solucão, no questions asked.
Me irrita ver até em aula de ética médica um velho beiçudo com cara de senador vir dizer que não se pode apontar erros nos atos de um colega, sob pena de processos legais por calúnia. O salto alto em que desfilam meus veteranos cria um abismo entre profissionais e clientes, entre solução e confusão. Idéias muitas vezes simples, como tapar um buraco ou alargar um tubo muscular, ficam de escanteio, enquanto um doutor mandão quer apenas que sigam suas ordens. O paciente, perdido, só vê os efeitos colaterais de tudo que é feito e cria-se o fantasma do eeerro méeedico, em cima da falsa esperança de cura mágica.
Desde o colegial, o estudo de Biologia-Física-Quimica versus Minha-Falta-de-Religiosidade me deram a concepção de que o ser vivo é um organizado químico com tamanho para fazer eventos macroscópicos, físicos. Seria então possível mapear e prever todos os acontecimentos do corpo humano, e seus defeitos. O problema é que isso é de uma complexidade ainda muito fora da nossa realidade, o que reitera a idéia de que nossos esforços seriam arte descompromissada. Mas isso não pode mais guiar a classe médica.
O
ponto fundamental é que precisamos almejar a solução, o exato, mesmo que esteja a séculos de acontecer, pois é o que as pessoas querem e precisam. Uma medicina humana sim, mas armada até os dentes de raciocínio e humildade para usar cada descoberta fisico-química, cada relato de caso ou estudo estatístico para matar os tantos problemas que afligem essa máquina complexa. Chegará o ponto em que o corpo estará tão bem compreendido em nível molecular, que poderá ser dominado em fórmulas matemáticas compiladas em um sistema processador de dados, tão bem projetado quanto o nosso cérebro, mas muito mais eficiente. Não me refiro aos meros braços mecânicos que temos hoje como robôs, e sim sistemas racionais avançados. Os velhos médicos têm de entender que nossa missão é curar as doenças, em ultima instância. E deveremos ter a sabedoria de largar o osso quando a hora chegar. Meu sonho é que a minha profissão não seja mais necessária, acredita?

quarta-feira, maio 20, 2009

Ton Ton?

To cansado bagarai. Tanto que acabei no fundo do poço, o blog. Não que esteja péssimo, estou em pleno internato e fico alucinado com quantas conclusões e raciocinios absorvo e fixo a cada dia. Mas ontem, ficamos das 6 30 da manha até as 21 30 no hospital, pacientes, aulas, pacientes, discussao non stop. Isso foi chocante, eu estava em transe voltando pra casa morrendo de sono as 22 (cansaço mental da muito sono..nas ferias varava noites a fio) quando vi no meu bairro as janelas da academia de ginastica, q fica em um segundo andar de uma construçao na rua para a minha casa.Senti uma tristeza de repente, de ver aquela turma q tem seu tempinho de malhar todo dia, q dorme e trabalha em horarios fixos e ganha seu dinheirinho. Esse povo é q vive nosso tempo. q usa e descobre tudo q é criado por uma outra raça de humanos. Nós, vampiros, nos afundamos na logica de nossa atividade escolhida até o pescoço, de modo q nem nos dá tempo de aproveitar o mundo com que contribuimos tanto. Meu professor de colegial ja avisava pra tomar cuidado com a vampiragem na vida, q o vestibular ia nos tranformar em seres esquisitos. E eu tento nao esquecer disso.
Quando chegamos no hospital, as 6:30 o primeiro q nos reconhece é o porteiro, exigindo o crachá q tanto preza. O máximo de emoçao q ja trocamos é eu estar atrasado de mau humor e apontar o cracha pra ele como um distintivo policial. Será q ele é feliz? Cruzando varios rostos conhecidos de outros anos da faculdade e um mar de funcionarios genéricos(alias a relaçao medico x demais areas de saude da outro texto) entro no elevador, sem dar oi pra ninguem. "Obrigado" pra ascensorista ao chegar no meu andar, entro na enfermaria virando rapidamente a cabeça esperando algum bom dia dos queridos deitados nas camas. Aquele cheiro de falta de banho. Sem ver o céu azul, vejo as folhas azuis que esperam ansiosas pelo "20 maio: seu josias,43 A, 230 dia de internaçao.." Se fosse mecanico, tudo bem, cantarolaria uma guitarra de marty friedman pela manha e ficaria tudo bem. Mas não! Cada linha, cada palavra exije um porquê, cada dia pro paciente é uma eternidade q necessita da sua ajuda. Olho o paciente, olho o exame, olho o paciente de novo, olho pro professor, olho pra cima. Alem de nao saber tudo q para o professor é banal, tento tirar conclusoes novas e manter a humanizaçao e a concepcao do que o doente esta passando. Junte isso a uma historia longa, uma cirurgia que voce nao viu, nem como estava antes e vc tem um terreno fértil pra dor de cabeça uma vez q se comprometa a ser util. Aprendo muito sim, sobre o funcionamento de um hospital, sobre o diagnostico dos meus pacientes e meio que para por aí. Por quantas horas alguem consegue manter pleno raciocinio? Sei que as geraçoes anteriores nao davam valor por saude e qualidade de vida, mas será q nós perpetuaremos isso? Esse modelo buxativo, de fazer coisas complexas por longos periodos de tempo é muito samurai. Voce acaba nao tendo escolha a nao ser descontar no bolso do cliente. Trabalho muito, penso muito, me de muito dinheiro. A cada dia acho mais que todos nós jovens medicos vamos acabar mercenarios tambem, como os velhos q repudiamos, de tanto trabalhar sem causa.
Talvez seja fascinio pela coisa toda e seus misterios. As vezes olho este povo e dá um tesão de lembrar da qualidade do raciocinio que fiz ha momentos atras em torno de um pâncreas, enquanto senhorinhas falam da novela. Será orgulho isso? Sei la.. Mas os velhos mercenários devem sentir também.
Acabo tendo mais prazer no que faço quando lembro das pessoas la fora, no sol, no céu. No que tenho de aprofundar a medicina para que não sofram, para que minha mãezinha saiba se alimentar bem. Inserido nesse contexto todo, e dando bom dia para mais pessoas, não me sinto tão vampiro até..

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Triplo Y

Tava meio enjoado em plenas férias. Mas como, com tantas coisas diferentes pra fazer, tanto que na semana de provas eu estava tão preocupado com o Nº de DVDs-pra-gravar-pras-ferias quanto com a rec de psiquiatria. Tantas historias diferentes, de matar dragão na lua a caçar velhas no inferno.
Matar, cortar , caçar, sodomizar atirar a flecha no olho do tigre, é tudo assim! O mundaréu de jogos e séries de férias são mídias diferentes pra proporcionar o Thrill of the Kill. Veja Jô, há animes de cozinheiros, de ciclistas, de tenistas, e eu sempre os descartei sem pensar no porquê, eram apenas chatos. O mesmo com jogos de pescaria, de futebol e, por Deus, guitarra! Sou apaixonado pelo grito do trovão, sofro junto com cada wah-wah, e mesmo assim, nunca quis nem olhar guitar hero. Agora seriados de comédia eu gosto mais do que os de espadada, nos esportes, eu gosto mais do fair play, do futebol arte.
  Começo a observar um dicotomização entre atividades fantasiosas, estas vinculadas à violência, e atividades "reais", que se passam mais conscientes do Eu. Então será que essa raiva toda se manifesta mais quando Eu não está olhando? Ou então no fundo eu sou um cara que anseia por poder absoluto pra fazer justiça com as próprias mãos e isto se manifesta nos gostos por tais atividades? Se Eu e Violência correm juntos ou em oposição eu não consegui me esclarecer direito, mas, nestas férias, quem começou levando melhor foi a carnificina, e tal desbalanço me fez parar pra pensar. Até li um pouco de Cecil pra voltar à realidade. Me assusta um pouco a força com que desvio para esse caminho, uma vez que, como direi em post subsequente, tinha me decidido a focar a vida as férias em atividades de prazer vinculadas a melhoria pessoal, particularmente escrever, correr e estudar música. Já estamos no natal, e só chove.

Grande Rael é estudante de Medicina e teve de escrever isto após começar a entender por que se divertia tanto em um jogo de dança. De dança!

Bendita costela

Post começado no dia 03 de Maio, as 4-da-tarde-eu-sei-ve-hora-porra

*Caramba fui escrever ontem as 5 da matina nao consegui terminar uma frase q fizesse sentido. Deviam estudar a confusão mental em pacientes com sono... Foi igual ao dia que tirei 0,7 em bioquimica, foi a noitada da minha primeira vez haha. Dessa vez n foi nada nobre.. bebida e ambiente cigarrento, pelo menos cantamos como nunca num karaoke. Sertanejo rula!

Pero no fué un mar de ruezas: conversas e opinioes sobre um assunto delicado me deixaram pensando àquela hora da madrugada. Mulheres, claro.
"A mulher é o bicho mais parecido com gente que existe."
Engraçado de se falar na roda de homens, mas os conhecendo bem acho q não fica só na brincadeira. Um colega(A) chega cumprimenta uma menina(B) que eu não conhecia, normal. Conversam e mais tarde se pegam à sugestão de um terceiro(C), é, fui descobrir q os 2 eram ex-namorados a partir do comentário banalizador. Reparei que ele a pegava meio sem respeito, zombando da menina e manuseando-a com sanguenozóio, sem mta importância. OK.
Outro amigo(D) me parabenizou por minha felicidade atual e começou a lançar telefonemas a garotas que gostava, nada mais natural, ele sempre tá se dando bem. Quando chegamos ao karaoke ele encontra uma conhecida e começa a conversar, naquele jeitinho macho alfa que conheço e ja fui atropelado por. Mais tarde, com cara de bagaço, ele me chama a sós para presenciar a menina pegando outro cara. Eu faço piada, "perdeu playboy", achando q era o normal a se fazer (bêbado e fedendo cigarro, eu tb nao o escolheria no lugar da menina). Ele ficou furioso e explicou que a menina era conhecida e ele tinha algo especial na cabeça e não aceitava perder pra um dos outros 3 que estavam ali atras dela. Bonito, tema de filme. Que mentira.
Logo mais encontro A e D discutindo amizade e furação de zóio. Descubro que C havia pegado B sem consentimento de A, e que A a considera mulher de sua vida e que bateria no mundo por ela, daria o sangue, essas coisas de guerra. Que não se pegava mulher de parceiro jamais, com tanta mulher no mundo. A está puto com C e D tem algo no meio que não entendi.

Discordo de algumas coisas. A menina é bonita, gente fina e "A" mora em outra cidade, onde tem namorada. C conhecia os dois há tempos e tenho certeza de que não teve intenção de magoar ninguém. Não acharia estranho um amigo ter o gosto pelo mesmo tipo de garota, e isso piora quando se pensa na proximidade que se estabelece com namorada do próximo. Isso pode ser uma via dupla, com ela se divertindo ao sair com ambos e criando certo carinho pelo terceiro. Claro, há também a possibilidade de ela só tê-lo usado para fazer ciúmes a A. E estaria errada? Eu vi ele a tratando com desleixo, e se eu não estivesse com a moça que mais gosto ia pensar também "nossa essa menina merece ser tratada melhor, vou pegar o msn dela". E pode muito bem ter sido uma coisa de momento, todo mundo sabe o tanto de alcool que aquele grupinho ingere diariamente. De qualquer forma, A deveria ter levado estes fatores em conta antes de odiar seu "melhor amigo" e a "mulher da sua vida".

*Postado assim mesmo para evitar o mofo

terça-feira, julho 22, 2008

Beber, cair e se enganar, beber...

post long começado, e enquadrado em 5 minutos
07/03/08: Ha, cresci. E o povo ainda acha que o álcool é coisa de outro mundo, iée cerveja, festa, animal! Pessoal da minha idade ou mais velho, que ja bebe há , vai, 8 anos, ja fez todas as merdas possiveis e continua rindo das vezes que não se machucou.
2 problemas: velhos bebem e acham q vao ser fantasticos e ficam toscos, perdem o silencio austero que lhes dá alguma autoridade. Ruim pra eles, pior pros mais jovens que ganham um belo exemplo de como ser babacão por esporte.
22/07/08: O efeito nem é tao forte, nem tão bom como quem bebe faz parecer(metade é sempre teatro), nem diferentes bebidas fazem nada a mais(o efeito da substancia etanol é o mesmo; misturar não faz diferença, só dilui alcool e agua(cerv) em alcool e agua(pinga), "capeta" é uma piada.. canela nao da barato!). Alcool causa dependencia, dor de cabeça, crise no figado, fim de namoro, batida de carro, queda da propria altura, cancer de garganta, sexo ruim, hipoglicemia, verdades desnecessarias, relaxamento muscular, sono excessivo e muito mijo. To de saco cheio com toda essa farsa. Whisky tem gosto de sola de sapato, tequila é igual pinga, vodka(e saque) é agua e alcool, vinhos são grife. Cerveja gelada é tudo igual, até nos comerciais, bebe uma quer outra. E pelo menos metade disso tudo é verdade!
Bom, ja me diverti muito com bebedeira, mas sinto que situaçoes tão loucas quanto podem ser feitas por espontanea vontade, é só propor a si mesmo: "divirta-se e pronto". Experimente.

Ps: ha 2 anos o demo escrevia um post sobre alcool nesse mesmo blogue, puxa!

sexta-feira, julho 11, 2008

iScribble chat + desenho

Que interessante, olha esse iscribble, os caras em chat desenhando, e mandam mto!
qdo c entra no canal o desenho se faz rápido desde o começo pra voce, é foda!
http://www.iscribble.net/

quinta-feira, julho 10, 2008

Prazerexol 150mg --- 1x mes V/O

Drogas, sexo, vamos atrás pq age direto em nossos centros de prazer, que nos mandam faze lo de novo, como comer. Como a comida, não é uma opção que se faz, é uma encadeação de ordens que nos faz precisar de novo. O prejuízo disso é a falta de escolha, na verdade distorcemos qqer logica pra encaixar a vontade da repetição. Não adianta falar de cancer, de acidentes de transito, de gravidez, ng fala mais espertamente que seu núcleo accumbens, ao que parece. É necessária a lei seca pra fazer as "pessoas estatisticas" pararem de se matar. Mas elas nao querem se matar creio eu.
Conheço gente que jogou por 3 anos o mesmo jogo, com os mesmos monstros e experiencias, nada novo alem de chapeus, e nao adiantava falar "sai dessa". O prazer ali, como em demais jogos, era a matança, as cabeças rolando, dinheiro vindo e o sonzinho de "tchec tchec". Outros decoram o dano de cada tipo de golpe em outro jogo, repetindo o "ganhar de todo mundo" over n over. Ja ouvi dizerem que para aproveitar melhor a menina, vc se alivia antes de ve-la, 2 vezes! E viciados em drogas diversas, que ja acordam precisando de um dois, um tiro?
Apesar do hedonismo reger boa parcela dos meus planos, sinto que minha relação com o prazer é mais enjoada. Apos uma bebedeira, um "brincar", uma passada por um jogo, me dá uma exaustão, um rebaixamento agudo daquela importancia na lista de prioridades. Ja narrei a outros colegas como é fantastico a sensação de dar um amasso e matar um monstro na sequencia, assim como voltar da balada e tomar açaí com violão. Chama-se feedback negativo, uma ação desencadeando a inibição dela própria, e percebo isso muito em mim.
Lembrando da lei seca após sentir o desejo sexual se esvaindo em segundos do pós-orgasmo, pensei se isso não poderia ser sistematizado a demais prazeres e pessoas. E se fossem sintetizadas drogas que amplificassem este delay? Se balanceassem o efeito nocivo da droga com a abstinência causada pelo inibidor, de modo que os usuários tenham o prazer procurado. mas com garantia do inmetro de que dificilmente causaria dependencia ou tendencia a overdose. O governo poderia chamar a população pra discussão em vez de renegar os consumidores à ilegalidade. A maconha legal diminuiria o tráfico, teria maior qualidade e poderia também evitar o vício.
Daí me vêm alguns problemas. 1) Um ecstasy que age direto na sensação de prazer, como poderia ser inibido? Retirar toda a libido e euforia do indivíduo nas semanas seguintes seria loucura. 2) Quem julgaria o período de delay, e o julgamento seria baseado em danos biológicos ou sociais? 3) Como o governo faria com que as pessoas optassem pela droga de marca? Preço menor, campanhas publicas de "nossa droga faz menos mal", "teores seguros", "sem impurezas". 4) Seria viável criar um mercado legítimo de substâncias que não causassem dependência? A indústria farmacêutica adora medicamentos de alto custo, consumo e nobreza. Como convencê-la a fazer "cocaína barata não-viciante"? Haha é até engraçado.
Poderia ser usado o inibidor em atividades socialmente indesejadas quaisquer: jogo, pedofilia, jogos online. Talvez uma inibição traumática permanente poderia ser alcançada. Mas creio que atuar subjetivamente já tangiria um controle da liberdade individual que medicina e justiça atuais não podem assumir como responsáveis ainda, seria experimental e desastroso demais. O Prazer é nosso impulso para realizar o mundo e na medida que se brinca de controlar isso, talvez estejamos algemando a evolução da sociedade, ja pensou?

ps1: Há muitas coisas na vida prazerosas mas não consigo usar isso de argumento contra drogas, pois estas trazem sensações muito especias e diferentes. E olha que eu amo fazer muita coisa.

ps2: E se fosse procurada droga que nao trouxesse efeito nocivo ou dependência(é bem inviável biologicamente, mas supondo), seria necessário delay? O simples fato das pessoas estarem alegronas às tornaria socialmente insuportáveis para qualquer atividade? Seria um filme interessante, provavelmente uma comédia pornô, haha.

psmil: Desculpe a confusão de pensamentos, mas quis falar de tudo que tive em mente.

quinta-feira, julho 03, 2008

Dia N - Rinoplastia

Chegou rápido o dia de mudar o nariz. Dps de anos pensando, espelho cada hora dizendo um coisa e as pessoas unanimes, resolvi marcar e entrar na faca. Aquele nariz que me trouxe tantas dificuldades e superações, momentos filosóficos, a consciência de que beleza é um pequeno empecilho que sempre pode ser contornado com bom papo. Com essa concepção me senti pronto a mexer na aparência sem me sentir dependente dela, como caráter de BOOST pessoal, aí ficou bem divertido.
Tudo muito sussa, médicos super amigos, te tratam como calouro querido e como paciente leigo, sem faltarem explicações. amigos chamaram de bixa, meninas disseram q iam sentir saudades, mamãe quer fazer o dela também, papai se sentiu culpado por não abordar isso antes em conversa, xuxu não se conformava com o pós-punk do processo (radical, superficial,peganomeu). Senti que quando abri diálogo, ja não me influenciavam mais, ja tinha pensado muito. desculpem se pareceu indiferença.
Fiquei mais motivado ainda com a experiência de passar por cirurgia, pois nunca fui internado, nao sabia como era o lado de dentro da cama de hospital, fentanil, midazolan, POI, whoa!
Aquele jejum terrivel me lembrando da aula de nutrologia, quando chega uma sopinha aguada-zero-sal que só abre o apetite(refeição leve my ass, cade meu pão de queijo). Bolachinhas, flan, jarra d´agua, até que é razoavel. Banheiro com frestas enormes, todos vendo sua bunda enquanto dá uma mijadela. Cama bem confortavel, dificil acreditar em escaras.
Meus parceiros de quarto, tão calados, só acenavam com a cabeça. Pensei em complicações diversas, com vergonha de dizer "fiz plastica" entre dois "CA de laringe traqueostomizados dieta enteral" . Acabei nem puxando mto papo, mas acenei bastante e elogiei um deles por ter uma tv, sessao da tarde rula. Por volta de 3 horas depois ja tive aquela sensação unica de aconchegamento, quando vc acostuma com o lugar e se sente em casa, era hora de dar o fora, cade os médicos! nada! nas ferias aquilo é um belo deserto depois das 4. As enfermeiras senpre presentes e rodando (e dando bronca nas namoradas q sentam ao seu lado fora do horario de visitas e dão um abraço melhor q qqer fisioterapia) sempre bem mal-humoradas (papai disse q é pelo salario, acho q tem gente mais feliz com menos, talvez pela falta de autonomia, e ainda tem q ouvir paciente reclamando q a sopa micro ta sem sal, etc). Consegui minha alta as 5 so sai as 8 por cuasa do rodizio, massa..Bom queria ressaltar tambem o quanto foi gostoso ter varios membros da minha vida presentes e me traficando comida. Senti a solidao de hospital e como isso é nocivo pro seu bem-estar. Obrigado a todos pelo abraços!
Agora to com gelo em uma mao, papel na outra(occasional bleeding) e tomando minha cefalexina e hoping for the best, e por aí vai. Até então recomendo bem mais q tirar o siso. tchau

terça-feira, junho 17, 2008

LIVRO DE VISITAS

Olá, deixem recados sensuais e opiniões, etc, valeu!

quarta-feira, maio 14, 2008

Fighting Dreamerz

então, é que eu hoje, "achava tudo um saco"
e fiquei trsite
mas é o que mais sou parecida
tentei ver minhas maneiras de encarar a vida
e hoje era assim
(1:19 AM) Dr. Reed - leisure rules:
isso é bom
(1:19 AM) Jessie Li Blythe, a Lupilo:
não sempre
sabe, eu queria ser que nem a misao
do samurai x
lembra?
(1:20 AM) Dr. Reed - leisure rules:
misao...
(1:20 AM) Jessie Li Blythe, a Lupilo:
bom, pela cara não
(1:20 AM) Dr. Reed - leisure rules:
n te vejo em nenhum (pers de naruto, e disse q eu seria o naruto) q coisa!
(1:21 AM) Jessie Li Blythe, a Lupilo:
ela era cheia de vivacidade e alegre mas, ela se prendia a um amor platonico pelo aoshi
e o motivo que a impulsionava, era levá-lo pra casa
(1:21 AM) Dr. Reed - leisure rules:
ah, falou a viva!
(1:21 AM) Jessie Li Blythe, a Lupilo:
a questão é
é fácil ser feliz quando se tem um objetivo claro
porque vc se esforça o maximo por aquilo
(1:21 AM) Dr. Reed - leisure rules:
hum
acho q sim
(1:21 AM) Jessie Li Blythe, a Lupilo:
e fica feliz em cima disso
(1:22 AM) Jessie Li Blythe, a Lupilo:
mas isso é superficial e raso
eu já tentei fazer isso
não dá pra basear sua existência em algo tão instável
sabe, o aoshi? meu, que bobeira!
aí era bonito
mas querendo ou não
(1:23 AM) Jessie Li Blythe, a Lupilo:
ela era apenas uma lunatica
e eu, o que sou? sou outra lunatica, mas bem pior. porque eu não sou ninja
(1:24 AM) Dr. Reed - leisure rules:
http://granderael.blogspot.com/2006/07/vade-retro.html
Vamos Cantar Então!: Vade Retro
nossa, tenho um carinho toa grande com meu blog..preciso imprimir pra guardar
sempre q me leio me identifico, mesmoq do nem lembro do que falei
é mto gostoso isso
...
(1:43 AM) Dr. Reed - leisure rules:
ah esqueci de explicar que fui ler posts antigos pra ver um sobre satisfaçao e felicidade.
pq acho q o mundo nao é simples, mas a felicidade é relativa, entao cabe a todos, mesmo os sofredores a nosso ver, serem felizes. Por isso fico enjoado de felicidade as vezes.. talvez pra fazer contato com quem me ache miserável e dizer: -ei, escuta aqui!
...
(2:14 am)
Beijo li, até amanhã ;)