segunda-feira, março 26, 2012
Academia de mutantes
sexta-feira, março 16, 2012
There and back again...
terça-feira, setembro 21, 2010
O balanço da rede
O que se vê é que a maioria usa a internet para continuar em sua bolha local. Segundo estudo das empresas Pew e Nielsen, o tempo gasto atualmente em internet no mundo é dividido entre: 1)Ver conteúdo fixo (42%), 2)”Atividades de meio”: Email, compras, buscas, etc (36%) , 3)Redes sociais (22%). E todas elas podem assumir um caráter tão quadrado e localizado quanto da TV.
Por isso, pra tirar o máximo proveito da internet, na verdade você tem que sair dela, participar de discussões, trabalhos e amizades em carne-e-osso, onde se pode dar acesso a informação meio que empurrado, já que a boa educação ensina a prestar atenção no que se está conversando. Falando cotidianamente de feminismo e socialismo, por exemplo, eu posso dar acesso a informação de qualidade a quem nem internet usa, até a quem assiste novela. O poder da conversa de cabelereira, de garçom, de taxista é fantástico se puder expor o outro mundo possível. É aquela máxima de pensar globalmente e agir localmente, no âmbito mais importante, o da informação. Por isso falo a vocês, meus amigos. E convoco todos os idealistas a serem tagarelas de bar!sexta-feira, setembro 10, 2010
O ninho do tigre
1)
A velha entra na sala mancando, a perna carcomida exalando o cheiro de sempre, cheiro de pronto-socorro, de pedaço que morreu e não avisou o dono. Modelo completo: diabetes, hipertensão, tabagismo, obesidade, colesterol, e "só dois dedinhos de cachaça no almoço" por 50 anos. -Dói a perna há 6 meses, não tem um remédio? - Mão na testa, olho no relógio, faltam 10 horas de plantão. O dia-a-dia de hospital é isso, uma impotência, um eterno “sinto muito, seu corpo está em frangalhos e não temos o que fazer”. Fico me sentindo um homeopata, porém honesto. Pra que serve medicina então?
O que salva vidas não é o atendimento médico de urgência. Aquilo é bacia das almas, quebra galho pra meia dúzia de mal-aventurados, pra quem muitas vezes não há o que fazer, realmente. O que não se pode subestimar é o valor da ciência de saúde humana, nisto incluindo médicos, químicos, físicos, etc. Esta ciência sim mudou completamente nosso modo e expectativa de vida, norteando os padrões de habitação, alimentação, higiene e atividade física, além de intervenções diretas, como as vacinações e programas de saúde preventiva. Mas ainda há uma barreira entre a realidade dos meios de saúde e a concepção popular do médico e do hospital. É isso que precisa mudar. A senhora-tigre que chegou andando na primeira linha deveria ter uma noção geral de como as doenças crônicas que enumerei vão estragar seu corpo sem que ela sinta quase nada, e depois do estrago nenhum remedinho irá de fato remediar a situação.
A saúde é mal distribuída, sim. Mas mesmo com um batalhão de médicos não se poderia seguir esperando o povo ficar doente pra vir nos 15 minutos de consultório ter uma formação de opinião sobre saúde. Essa história de CONSULTE SEU MÉDICO pra tudo gera um misticismo sobre doenças e remédios, como se fosse só parar na oficina e seu corpo sair novinho, pronto pra mais 100 anos de podridão. Talvez um dia.
Por enquanto, é necessário conscientizar todo mundo de que VIDA se deve levar pra evitar aparecimento e complicações de doenças comuns. Qualquer um sabe que cigarro faz mal, mas esta idéia vaga não dá liberdade de escolha real. Dá câncer, mas quase ninguem sabe o que é câncer. Saber que mata não é o bastante, se vamos morrer de uma forma ou de outra. Além disso, morrer é a parte mais fácil dessas mazelas todas, o problema é o caminho até lá. Tigres sofrem um bocado.
2) Nisso de conscientizar, o médico tem as mãos atadas. Além de ter pouquíssimo tempo no amontoado de pacientes que tem de atender, seja por lucro ou por demanda local, ele lida com adultos, o que estraga de vez o resultado. Adultos não se convencem de nada. Sou o mais cabeça-aberta dos que conheço e demorei quase 5 anos pra virar socialista, mesmo com doses diárias de injustiça social aonde quer que eu fosse em São Paulo e amigos tentando me explicar. Sim, acredito que adultos podem mudar radicalmente de opinião, mas a um custo de tempo e retórica totalmente inviáveis em larga escala. Quem tem que aprender sobre o mundo são as crianças.
E novamente não pelo médico. Quem tem tempo de estabelecer um canal de comunicação de confiança com os pequenos é o professor, o ambiente escolar. Entendo que o currículo escolar tem seus usos, porém é totalmente desligado da vida real. Eu gosto de saber distinguir distância, velocidade relativa e aceleração quando estou num veículo. Mas a escola deveria ensinar conteúdo mais pragmático, como cuidar da própria saúde, política atual e seus motivos, legislação, culinária, ensinar a realidade da cidade e do campo, formar um adulto. Seriam coisas muito mais úteis agora, do que reconhecer o filo da água-viva (por mais interessante que seja)... Acaba sendo uma questão mais ampla, da função social da escola. Enquanto a escola está ensinando terciarismos, quem “educa”(e tortamente) pra vida é o desenho animado, o rambo, o DATENA!
Há um cuidado em não falar muito de realidade com a criança, pois é jovem e inocente. De que adianta formar um bocó de 18 anos que em 5 minutos de realidade muda todos seus conceitos de vida? A criança precisa ver que tem gente passando fome, que o dinheiro acaba, que doença e cigarro mata com sofrimento, saber quem planta a comida e quem queima a comida pra subir o preço. Quase todos adultos de hoje teriam de ser re-alfabetizados num sistema desse. Não é nem questão de melhorar a saúde da população, estamos falando da saúde da sociedade mesmo.
domingo, junho 13, 2010
Olho no lance..vendido!
Eu tenho um receio muito grande com esportes. Começou quando pequeno, ao sentir o desespero das competiçoes de natação e de judô sem nem saber pra onde eu estava indo na vida, comecei aos 6, 7 anos! Desde então, com aulas de História mostrando que o pão e circo romano ainda estava a pleno vapor, com amigos e parentes falando exclusivamente disso em reuniões, com um irmão dedicando horas diárias a ler dezenas de blogs de comentaristas esportivos, fui pegando uma nhaca real da coisa toda..menos da copa.
O futebol de clubes só fala de salarios, compra e venda de jogadores, estica os campeonatos pra arrastar milhões aos estadios durante o ano todo, faz os fãs comprarem camisa pra mostrar a força do time, além da publicidade para emissoras, estadios, uniformes. All about money, e o povo compra, discute e rediscute na maior profundidade uma coisa que é igual todo ano.
Eu pensava que a copa era mais tranquila, pois nao havia negociaçao de jogadores, salarios discrepantes, unia o país. Mais aí que está. Ao unir cada país em seu territorio, obtem-se uma unanimidade mundial de ânimos, e então basta adquirir o titulo de patrocinador oficial para fazer uma campanha publicitaria monstruosa, mundial, sem birra por parte de ninguém. E daí nos países tem os patrocinadores de seleção, que dão mais força ainda à magia pois vinculam a paixão do torcedor à marca do produto. Isto não pode ser feito nos clubes, pelo menos no brasil, pois os campeonatos sao razoavelmente equilibrados e geraria mais birra do que simpatia por um produto se associado a um time.. Eles estampam a camisa, mas não fazem alarde do vínculo. O mais perigoso que vi recentemente foi a Bozzano (marca de cosmeticos masculinos) que patrocinava o corinthians e fazia propaganda da marca nos intervalos de jogo, como se a torcida corinthiana fosse realmente seu alvo, seu nicho. Me confundiu a estratégia deles, quando nas etapas finais do paulista passaram a estampar a camisa do São Paulo..não consegui entender a quem se dirigiam.. Mas a publicidade tem isso de espalhar o nome, nao importa o efeito.. pelo menos ficou gravado na minha cabeça o fabuloso slogan: "Bozzano, é bom!"
Bom, acho complicado ficar repudiando a publicidade que sustenta o sistema, acho menos hipocrita te aconselhar a repudiar o próprio sistema, pois o povo trabalhador(mesmo de terno) é ignorante e não tem tempo de levar a culpa. Vamos sorrir, acenar, e mudar o sistema no 2o tempo. Raça Mundo!
*Ah, que fique claro que apoio ferozmente a pratica de esportes para fins recreacionais e de saúde. O veneno está na competição e na grana, divindades tipicas capitalistas, aliás.

