sexta-feira, setembro 25, 2015

Post tonsillectomy tips for pain

Hi, I'm a medical doctor. I've had my tonsills out 6 days ago and never felt so much pain, constant sweating and shaking from the pain's adrenaline release. But now i think i've got the hang of it
I'd like to leave a few tips, for people to know, especially tip 1.

1) The exposed area in the throat is permeable to water and salts and cant control its OSMOSIS, so it hurts bad like any open wound when you put something of unbalanced concentration agaist it. So it's REAAALLY important that you try to swallow liquids that are not too concentrated NOR TOO LITTLE concentrated, and never acidic! Pure water rushes into the wounds and hurts it, just like exposing a bruise to tap water. Lemon juice is your worst nightmare.
For me, cold water with 2 pinches of salt and 2 spoons of honey made for a drink that immediately stopped the aching. You should try to hit the 0.9% salt saline solution mark or close to that. AND take a sip of this drink after EVERY BITE of anything else that hurts, so it quickly balances the wound osmosis back to no pain.

2)Topical anesthetic( like tetracaine, lidocaine sprays or benzocaine candy) have a small lasting effect but its really strategic prior to trying to eat something. Just try not to swallow any as it gives me immediate nausea. Turn your head to the side so the anesthetic runs down into the wound at each side and wait a minute for it to sit there, then spit it out and gently wash your mouth.

3) NSAID painkillers are the most powerful in cutting inflammatory pain. Instead of drowning in vicodin/percocet/etc (opioids, they give me bad nausea and dont cut so much pain), try to have a constant dose of ibuprofen, or diclofenac (much more powerful but limited daily dosage), if you are not allergic, of course.

sexta-feira, agosto 10, 2012

Musculação e saúde

PARA QUEM NÃO FAZ EXERCÍCIO FÍSICO


1) Atividade física é simplesmente o fator modificável mais importante para a saúde. Além de prolongar a vida média em 2 anos (não fumar dá 5-10), o exercício dá qualidade de vida e AUTONOMIA MOTORA E MENTAL para realmente viver estes anos todos.
2) Ao mesmo tempo que aumenta o apetite, o exercício leva ao maior CONTROLE da saciedade e do impulso de comer, além de melhorar toda a "maquinaria" de queima de gordura e glicose, sendo fundamental para qualquer plano de PERDA DE GORDURA.

3) As principais doenças crônicas controláveis, HIPERTENSÃO E DIABETES, que se não cuidadas reduzem a vida em 5 e 10 anos em média, respectivamente, além de proporcionarem sequelas progressivas incapacitantes, estão intimamente ligadas ao exercício físico para seu controle direto.

4) Os benefícios de REDUÇÃO DE STRESS, atingidos com meditação ou ao ouvir música, podem ser atingidos também com atividades físicas, em que a pessoa pode esquecer os problemas e se concentrar no imediato.

5) O exercício melhora muito a QUALIDADE DO SONO, garantindo boa disposição durante o dia. Evite fazer exericícios até 2 ou 3 horas antes de dormir, pois a adrenalina prejudica o início do sono, e mesmo que se sinta bem no dia seguinte, menos de 7 horas de sono são maléficas para a saúde física e mental.

6) Stress, cansaço e fadiga mental do dia a dia influem nas TOMADAS DE DECISÃO, levando a mais comportamentos destrutivos e antissociais como: beber mais, ser mais rude, postergar afazeres (na prática, leva mais vezes a "ligar o f*-se"). Isto pode dinamitar o SUCESSO PESSOAL E PROFISSIONAL, além de prejudicar ADERÊNCIA a tratamentos de doenças e a novos aprendizados ou planos. O exercício físico atua indiretamente melhorando a disposição de se cuidar e de literalmente correr atrás do que é importante na sua vida.

7) Alguns estudos já apontam que quem pratica exercício tem maiores índices de INTELIGÊNCIA, além de manter a inteligência por mais tempo por prevenir a DEMÊNCIA SENIL E ALZHEIMER. Isto provavelmente pelos mesmos motivos dos músculos: o cérebro precisa de ESTÍMULO, que depende de motivação e disposição, além de um suprimento muito grande de sangue, todos fatores melhorados pela atividade física. Na 3ª idade, a força muscular para sair da cadeira influi fortemente sobre a quantidade de atividades e raciocínios que você realiza.

PARA QUEM FAZ OUTRA ATIVIDADE FÍSICA: A IMPORTÂNCIA DA MUSCULAÇÃO


1) Das modalidades de exercício, sob a óptica da saúde, é difícil superar a musculação. Ao se exercitar, busca-se: melhora cardiovascular, aumento da massa óssea, aumento da força muscular, melhora da coordenação, redução do stress, proteção das articulações, aderência ao exercício por toda a vida, beleza. A musculação engloba todas as necessidades, em maior ou menor grau, sendo imbatível em força muscular e óssea, proteção das articulações, e seguimento durante a 3a idade. Mesmo praticando outros esportes, especialmente focados em cardiovascular e coordenação motora, a musculação se faz imprescindível.

2) Tudo que se faz na vida depende de MOVIMENTO, de atravessar a rua a se levantar para examinar um paciente. E o movimento depende de FORÇA, de músculo. Além de prevenir sua atrofia, o exercício pode potencializar a força muscular. Nisso, a musculação é o modo mais eficaz e seguro de aumentar a força muscular gradualmente, titulando os limites para evitar lesões. Lembre-de de EXERCITAR AS PERNAS, pois além de conter os maiores músculos do corpo para consumir glicose e gordura, as pernas são o cerne da imobilidade que acomete idosos, e sua fraqueza a maior causa de quedas. A vida ativa depende da saúde das costas e joelhos, e malhando somente os braços não se garante nada disso para o futuro.

3) Após os 70 anos, a principal causa de morte do ser humano é QUEDA. Tropeça, cai, quebra o fêmur, fica de cama parado, pega pneumonia e morre. É assim que funciona, todo geriatra sabe disso muito bem. Isto depende fundamentalmente de força muscular e coordenação motora para NÃO CAIR, e DENSIDADE ÓSSEA para NÃO QUEBRAR. Osso precisa de compressão intermitente para se manter forte. Estudos comparando musculação com outras atividades mostra que a corrida ou bicicleta mantém a densidade dos ossos da perna apenas, mas nada da cintura pra cima. Natação e hidroginástica nada. Na musculação a densidade de quase todo o corpo é mantida por muito mais tempo, e sem o impacto nas articulações.

4) Impacto desregrado não pode ser modelo de saúde. Lutar judô ou jogar basquete podem até estimular ossos do corpo todo, mas te deixam sem ombro e sem joelho em poucas décadas. Na musculação, os movimentos controlados, reprodutíveis e sem impacto direto mantêm uma margem de segurança ótima, se supervisionados por profissionais responsáveis. Melhora também a PROTEÇÃO DAS ARTICULAÇÕES para praticar os outros esportes.


Lembre-se: praticamente todos os estudos relacionam longevidade e saúde à FELICIDADE. Ela não pode ser injetada diretamente, mas ser pode ser fruto de fatores mencionados acima, além de retroalimentá-los positivamente! Se exercício, sono e alimentação saudável não couberem na rotina, reveja sua vida e suas prioridades, elas refletem na sociedade, e na saúde de todos!




quarta-feira, julho 25, 2012

Jesuses Vermelhos

É um dilema terrível. Um tanto de gente é oprimida, normalmente a maioria. Todos apontam diferentes motivos pra vida ser ruim. Daí um grupo de pessoas começa a juntar as peças e ver que tem uma elite artificializando todo o sofrimento e escassez para se manter no poder, e travando as possibilidades de mudança, para se manter no topo, mesmo que esta elite seja também alienada e só busque ascensão social sem medir consequencias. Aquele grupo de pessoas tenta mobilizar mais gente, e assim que a elite toma ciência, tenta silencia-los. Este grupo de pessoas já não consegue ficar calada pois compreendeu a realidade maior de todo sofrimento artificial. A elite os mata. O que restam se revoltam mais ainda, formando grupos extremistas, guerrilhas, rancorosos. A elite mantém o poder, e os grupos que enxergaram tudo são popularizados vilões, radicais malucos, comunistas maconheiros, fragmentados.

Por um lado, é absolutamente insuportável engolir calado a politica real, depois que você absorve o suficiente destas verdades. Hoje li uma entrevista do Raul Reyes, lider das FARC morto em 2008 pelo governo Uribe da Colômbia, seguido de outra entrevista com Yasser Arafat, lider palestino morto sob claustro pelo governo israelense, ambas contando o esmagamento dos que lutaram contra estes regimes fascistas assassinos. Ao terminar a segunda, meu estômago revirava, e é sempre assim. Conhecer a política real, de esquerda, faz o sangue ferver de raiva, de amargor contra quase todas estruturas de poder e trabalho de hoje. Conhecer detalhes destas verdades políticas é enaltecedor, nos faz elite intelectual em todas as áreas de conhecimento, mas dá uma carga de raiva tremenda, uma carga que dispara a cada comentário leviano de algum colega alienado. Cada vez que um analfabeto político fala "bandido bom é bandido morto" ou "esses alunos da usp maconheiros fazendo greve com meus impostos" eu só volto a me controlar depois de ja ter discutido por algum tempo, de ter controlado um desejo gutural de ofender o infeliz. A raiva que vem da sensação de a mentalidade da pessoa próxima representar todos os problemas da sociedade é potente DEMAIS, mais do que xingar a mãe, mais do que bater na irmã. Esta raiva me inspira a querer lutar, mudar tudo. Deparar com estúpidos leitores de Veja (não-milionários, com posições que só beneficiam grandes ricos) é o combustível político diário de mais alta octanagem. Esta raiva provavelmente moveu todos revolucionários a pegarem em armas e serem mortos e presos em troca de abrandamento do sistema sobre os mais oprimidos.

Por outro lado, a via raivosa não tem dado certo. Uma vez que todas as vias de poder, conhecimento e opinião pública estão sob domínio da elite financeira, o caminho parece sempre ser a tomada de poder na força, no levante de um grupo oprimido, para então disseminar o conhecimento pelas vias educacionais. Mas isso normalmente acaba em massacre, pois o grau de alienação proporciona justamente a dificuldade de adesão de grandes massas a qualquer movimento, como orquestrado pelas mídias da elite. Os privilegiados intelectuais se sacrificam, e a massa que tanto defendem não tem oportunidade mental de se mobilizar. Então pequenos levantes são quase sempre dizimados contra forças armadas assalariadas. Acabam funcionando quando o levante vem de dentro das forças, como na Venezuela, com todos os problemas de colocar a violência no poder. Já nas discussões pessoais, a hostilização de idéias ou o insulto à inteligência dos alienados teimosos acaba afastando a maioria dos que não têm vínculo pessoal (os que têm vínculo pessoal SEMPRE entenderam e viraram "de esquerda"). Então acaba que as preciosas opiniões dos que mais entendem os problemas do mundo são realmente ouvidas por poucas pessoas. A via raivosa, seja contra governos, seja contra um colega de "direita", não mostra capacidade viral, de se auto propagar, ela é pegajosa e sofrida. São tantas mortes e lutas verbais sem efeito, que é desesperador.

Qualquer partido de esquerda sabe, e o próprio Hugo Chávez tanto insiste, que a revolução duradoura depende do esclarecimento da massa, da difusão das verdades do mundo. A política real depende do povo atuando, com consciência de quem realmente produz o mundo, planta a comida, constrói as casas. De que um homem não faz mais do que outro homem, de que o dinheiro acumulado é falso, de que Maluf e Sarney não têm braço pra plantar nem barriga pra comer de todos os milhões de hectares de suas terras. Apesar de amigos jornalistas condenarem o meu uso do termo "verdade", sinto muita segurança em dizer que o princípio básico de esquerda é ESCLARECER A VERDADE para todos, e da direita MENTIR em benefício de poucos, SEMPRE, desde milênios atrás. Por isso um autor ou revista de esquerda são tão claros de ler e ricos de dados, enquanto os de direita são recheados de ironias e falácias retóricas difíceis de processar. PODE COMPARAR, tente dissertar algo com validade lógica de um comentário do Arnaldo Jabor na Globo, pegue uma caneta e tente achar algum raciocínio sólido com causalidade/efeito e clareza "ecológica/epidemiológica/estatística/macroanalítica".

Qualquer bom professor sabe que amizade com alunos é fundamental para o canal de informação ser estabelecido. Eu já percebi isso há tempos, mas o meu talento para ironia, crítica e raiva dificulta muito o processo de intercambio político. Chega a doer tentar sorrir em discussão com alguns colegas Economistas. E dói mesmo, pois é um contrassenso prezar pela VERDADE científica e política e usar da FALSIDADE para ser amistoso a pobres colegas educados para o mercado. Tenho a consciência de grupo de que a pessoa alienada não tem culpa, o sistema desinforma para ser de direita mesmo, mas na hora da conversa a RAIVA aflora e a FALSIDADE se faz necessária. E remoendo esse sofrimento que me dei conta que talvez esta seja uma luta real e produtiva a ser travada. Não a etapa da falsidade, mas antes dela.

Se a salvação do mundo é o conhecimento real, honesto; se a via da raiva não funciona na difusão em micro ou macro escala; e se a falsidade dói e não convence; então resta mergulhar de cabeça na causa, com visão coletiva. Resta ao "esquerdista" a via da bondade honesta e carismática, paciente, sem truques. Repito, BONDADE, HONESTA. Manter os canais de diálogo fáceis e abertos, manter as posições políticas sem ódio ao desavisado, com visão de longo prazo. Fazer da vida uma jornada pessoal de distribuição de visão e amor sociais. Que nem a de Jesus na historinha, mas esclarecendo que milagres não existem.

quarta-feira, julho 18, 2012

Pro tempo engatinhar

Sou ansioso quanto a por em prática idéias e vontades. Daí que ver dá vontade de fazer, e muitas vezes me pego ouvindo música e planejando como vou fazer pra tocar daquele jeito. Nisso tenho que ficar lembrando, e quero que todos lembrem, que todas habilidades dependem de tempo e dedicação, E BOTA TEMPO NISSO. Realmente não é praticável conhecer vários assuntos ou ter várias habilidades ao mesmo tempo. Quando você treina só sua profissão você senta, estuda diariamente, e funciona, porque as profissões e especialidade estão razoavelmente divididas para o quanto se consegue dedicar de tempo àquele assunto. Ao passo que se você tenta melhorar mais de uma habilidade, dá de cara com o tempo.
2 horas de solfejo melhoram quanto sua técnica, pouco. 2 h por dia sim. 2h de exercicio não trazem saúde. 2h x 3-5 vezes por semana sim. Quantas horas pra ler um livro de cada autor essencial do seu trabalho? E de politica, e de filosofia? E se quiser relaxar e ler ficção, jogar videogame? Simplesmente não dá, mesmo se atendo somente a temas ESSENCIAIS.


Nossa sociedade nivelou cada atividade baseada em quanto um genio dedicado consegue maestra gastando a vida só naquilo. A questão não é se o violão é mais difícil que o piano. O melhor tocador de violão subiu a dificuldade tanto quanto a dificuldade do tocador de piano, mesmo produzindo melodia mais simples. O mesmo seria para um super tocador de apito, ou o melhor tirador de cara ou coroa. O LIMITE ESTÁ NA TÉCNICA ACEITA COMO BOA. E na era do Youtube, a referência é sempre o super asiático tocando Chopin a 150 bpm, ou Starcraft a 100 apm.
Tenho suspeita de que a difusão de belezas e talentos pela mídia seja culpada também por construir uma era da frustração e ansiedade, ou pior, uma era de HIPSTERS ALTERNATIVOS que nem tentam nada pois a Internet fez de todas virtudes TOO MAINSTREAM. Ao mesmo tempo que me lembro de que SER MEDIANO é bem menos frustrante, SER MEDIANO se perde no tempo, não inspira mudança e avanço (coisas que tanto prezo).
Algumas idéias:
- desenvolvo muito melhor praticando diariamente, com ritmo mantido e noites de descanso para raciocinar. Entretanto ha um tempo mínimo pra você esquentar o assunto e avançar na técnica, algumas horas. Já li um estudo de Neurologia em que mostraram que se grava muito mais informações aprendendo em blocos maiores de tempo em dias seguidos, do que uma vez por semana.
- desenvolvo muito mais rápido em atividades prazerosas, e após algumas horas perde-se o prazer no que está fazendo. Gosto de medicina, mas ao atender na mesma sentada o 50o paciente, odeio-a. Então há um conflito entre dedicar horas e manter a vontade.
- mesmo que otimize o método, não dá pra desenvolver muitas técnicas. Entre trabalho e hobby bem feitos, temos cidadãos alienados de todo o resto. Temos gente que faz música e não mais tem tempo de escutá-la, personal trainer que não tem tempo de se exercitar. Há escassez de tempo.

Pra retomar o tempo, vamos ter que mudar várias coisas:

Primeiro a jornada de trabalho, menor, pois já se produz mais do que se consome se não fosse o valor de troca artificial. (Acabei de ver preço de 10mil pra cremar um defunto, porra, deixa que eu tiro uma tarde e enterro.) Já foi estimado que no Brasil 25h semanais seria o suficiente para todos.


Segundo, diminuir o culto ao gênio. Eles têm seu mérito, mas o sonho do prêmio Nobel e o dinheiro de patentes claramente não justifica a competição, alienação e frustração disseminada, além da ineficiência científica de proteger segredos. Se 3 medíocres não conseguirem reproduzir o trabalho de um gênio, o ser humano está obsoleto, da-lhe inteligência artificial e eugenia. E isso ainda não aconteceu.


Terceiro, parar com a hipsteria, a AVERSÃO AO TALENTO MAINSTREAM. Não é porque você não alcança o range da Adele no chuveiro que você tem de ser fã da Amy Vodkahouse, muito menos cultuar indiepop de vocal de 2 notas. Não precisa tocar bateria só porque seu irmão ja toca violão. Não precisa torcer pro Boca só porque todo mundo se comoveu com o Corinthians. É uma PERDA DE TEMPO E TALENTO ficar nesta obrigação de ser especial, ser único. Isso é bobagem pregada aos jovens pra vender roupas desconfortáveis e empregos inúteis, é pseudo-liberdade de pensamento pregada pela MTV. ( defendo muito o direito à dissidência, mas isso não pode ser uma obrigação de ser "do contra", tem que ser caso a caso)


Quarto, começar a ponderar o que é livre arbítrio, e o que são atividades circulares viciantes, como campeonatos de futebol, novelas, 18a oitava temporada do mesmo seriado, final fantasy 40, gracinhas de Facebook. Quando uma balada toma 7h do seu Sábado e foi tudo mediano, e você volta na próxima semana, temos que medir o impacto disso.


E ETC..



quinta-feira, maio 17, 2012

View with a Grain of Sand

We call it a grain of sand,
but it calls itself neither grain nor sand.
It does just fine without a name,
whether general, particular,
permanent, passing,
incorrect or apt.

Our glance, our touch mean nothing to it.
It doesn't feel itself seen and touched.
and that it fell on the windowsill
is only our experience, not its.
For it, it is no different from falling on anything else
with no assurance that it has finished falling
or that it is falling still.

The window has a wonderful view of a lake,
but the view doesn't view itself.
It exists in this world,
colorless, shapeless,
soundless, odorless, and painless.

The lake's floor exists floorlessly,
And its shore exists shorelssly.
Its water feels itself neither wet nor dry
and its waves to themselves are neither singular nor plural.
They splash deaf to their own noise
on pebbles neither large nor small.

And all this beneath a sky by nature skyless
in which the sun sets without setting at all
and hides without hiding behind an unminding cloud.
The wind ruffles it, its only reason being
that it blows

A second passes.
A second second.
A third.
But they're three seconds only for us.

Time has passed like a courier with urgent news
but that's just our simile.
The character is invented, his haste is make-believe
his news inhuman.


Wislawa Szymborska

segunda-feira, março 26, 2012

Academia de mutantes

Percebi uma coisa. Qual o poder da mídia de esquerda, se o textos são longos e ricos, temas aparentemente manjados trazem detalhes fundamentais, mas da a sensação de apresentam dilemas demais para um leigo ter estas lutas como hobby. Não dá liga. O movimento de esquerda basicamente depende de tempo livre de estudo dos membros que tem outras profissões. Se você ignorar a situação atual de que são intelectuais de classe rica que se dispõem a lutar por justiça para os oprimidos, se você extrapolar o movimento de esquerda para o povo todo, o país todo, e sem contar com violência aberta, o tempo livre de trabalhadores espalhados tem como bater o foco e empenho da direita? dos ricos políticos profissionais herdeiros que PAGAM por mãos de obra alienada trabalhando para a direita? Como uma massa de sujeitos livres de boa vontade pode bater uma elite com toda maquinaria de alienação?
O mundo funciona por estatística, mas os grandes passos parecem ser dados por pessoas que se dedicaram mais, cultivaram mais inteligencia naquele aspecto. Então não seria muito necessário a fabricação em maior escala de intelectuais de esquerda? Intelectuais no sentido bruto frio, que sabem mais sobre tudo, que sabem estatística para explicar tendencias coletivas sobre as vagas ideias de livre arbítrio que a mídia de direita cultiva para criminalizar oprimidos. Que sabem sim números de como substituir o petróleo por energia limpa. Que sabem números de indicadores de saúde ao banir-se o cigarro da mídia. Que sabem, profissionalmente, política, temas coletivos. Que ensinem em debates, que tenham efeito local de popstar. Que arrebatem toda politica do mundo democrático. Da onde se tira tanta gente competente e coesa? Da onde se faz um partido profissional?
A militância por hobby não tem dado certo, não se enraíza, não vence a dureza da mídia. O Plínio talvez se soubesse detalhes de todos os assuntos propostos fosse levado a serio, a riqueza de detalhes é que dá a força da idéia, que pinta e semeia a consciência. Estudar tudo não é fácil. O um politico não faz nada sem um mundo de base, e base profissional, além do resto do povo. E vencer eleições ou debates isoladamente não muda nada, vide o Lula isolado, vide o Chavez morrendo sem sucessor. O resgate da humanidade tem q parar de ser feito amadoramente.
Pensando nisso, pularam ideias: formar uma escola de ciências politicas de esquerda, com alta performance e raciocínio logico argumentativo, regime integral e seriedade de conteúdo. Formar base intelectual dura, como se manufaturasse velhos políticos conhecedores de todas etapas da legislatura. Articular bases jurídicas, educacionais de esquerda. Dominar friamente o processo eleitoral pelas vias pacificas e formação de opinião pacifica, SEM GUERRA CONTRA A ELITE. Uma guerra intelectual contra ideias, não contra pessoa alguma.
Problemas de financiamento. Movimentos sociais pagariam a conta? Mas como selecionar estudantes de alta performance? Começar com hype privado entre filhos de classe media alta? FGV do outro mundo possível?
Para manter a coesão de idéias, talvez seja necessário um misticismo (talvez uma artimanha religiosa), um juramento pelo amor ao plebiscito do partido, um bro code envolvendo sangue, por exemplo. Disciplina militar é interessante pra qualquer atividade que não desenvolvimento intelectual. Porque quem recebe ordens e protocolos pára de raciocinar imediatamente.
Talvez um disfarce de religião? Um arco maior de ilusão talvez, atacando direto a competição humana em nível abstrato pra formar uma massa fascista de senhoras religiosas, inclusive que pagassem dizimo (que horrível), que poderia ser confrontada com a realidade aos poucos sem a máquina de direita perceber. Igreja universal da glória social do senhor da justiça coletiva.
Tomar cuidado com a revanche de direita, guerra civil aberta e assassinatos em massa, como? Paramilitares? A questão da violência é difícil, o turning point do povo se rebelar contra forças armadas é dificil de ser alcançado sem a direita matar todos os politizados no processo.. Talvez um arco de confusão de mais de uma vida? Um projeto elaborado de culminação após um seculo, de modo que não seja mesmo contraposto pelos homens ricos, cérebros da direita. Um Illuminati do coletivismo. Soa bem, illuminatoribus (iluminadores), haha. Acho que vai ser o jeito..

sexta-feira, março 16, 2012

There and back again...

To olhando aqui, Guerra dos Tronos (livro 1). Com um aperto no peito, como se fosse uma fraqueza, uma missão falha. Resolvi que so ia tratar do real. Política, saúde, dedicar o tempo puramente com atividades de aperfeiçoamento, que valessem frutos de pessoa melhor e com mais coisas a ensinar e entreter. Larguei video game, literatura fantastica, truco e qualquer coisa de repetição, que não me tirasse do lugar. Nisso virei um vampiro. Meu professor de biologia no colegial alertava numa aula, para nós, que alçávamos vôo nas melhores faculdades do país, tomarmos cuidado com a vampirização. Ele dizia que o estudo abre um caminho que pode ser percorrido em qualquer velocidade. Porém a partir de um certo ponto, fosse começaria a não ter mais coisas em comum com as pessoas normais, iria se tornando um criatura diferente. Ele dizia isso com uma expressão facial terrível, de profunda mágoa, de olhos fundos, voz trêmula. Acabei de ver essa cara no espelho do banheiro. 
Auto promoção? Atenção? Antes fosse.. Antes alguém ligasse. A gente estuda meio seguindo o fluxo de coisas oferecidas, não percebe direito a hora em que o mundo ao redor vira estranho, passa de interessante a infantil, a simples e triste. Dinheiro, beleza, competição por dinheiro e beleza e poder para ter dinheiro e beleza. É um jogo muito simples, porém esmagador. Quem não tem dinheiro fica no gueto, quem não tem beleza fica no underground, quem tem um deles mas queria os dois vira hipster, vira pseudointelectual. É tudo muito simples de olhar. Nas esferas milionárias e nas rastafari, há grupos fechados, territorialismo de machos sobre meninas bonitas, falsidade de felicidade alcoolica. Na verdade está todo mundo bem atento ao jogo, ao proprio grupo, ao proprio espaço, que não de ser invadido. O problema é que uma vez que se fecham na dinâmica da tribo, aparece um conforto temático, uma redundância de temas que, por observação minha, se fundem em áreas de interesse global, de riso universal. -ah, bebi muito aquele dia! -ah, tinha uma mina muito gata! -ah, o subaru leroleroX tem um milhao de cavalos e faz panqueca! -ah, o melhor jeito de ganhar grana eh esse, o salario do meu amigo é tanto! -ah, dei uma correntada na cara dele (eu nao sabia, mas há grupos de menos estudo que papeam das brigas e pessoas que machucaram, quase sempre por olhar pra menina de posse.) Dinheiro, consumo competitivo, mulheres bonitas, violencia. É basicamente isso. 
E pra descontrair, humor! O humor é o pior, é o jeito sociavel de falar as coisas mais horriveis.. Exercite tirar o "hahah" de todo comentario machista, egoista, experimente ignorar o "to brincando" depois de uma hostilidade mesquinha. É muito chocante a quantidade de ódio solto. Eu não acredito em brincadeirinhas há um tempo já. Quem fala brincando tve isso brotando na cabeça e é praticamente a tendência de opinião, é um adiantamento do que diria numa briga, ou pelas costas.Ta bom.. Não interessam os temas, repudio o humor... 
Tem quem se isole. Só que faz muito mal se isolar, dá uma carência visceral de afeto, de tapinha nas costas, de abraço. E outra: simplificando aqui um tese de horas, é preciso resolver e unir a sociedade (comunismo ou melhor) para a ciência e inteligência galoparem com honestidade; então política é a maior fase lenta (química) a ser catalisada para o avanço científico. Então pronto.Você precisa de contato humano, de inteligência, e calha que politica e as questoes atreladas são as mais importantes da ciência humana e precisam ser discutidas. Tá produzido um chato. Pense numa pessoa que em 5 segundos de tédio em grupo tenta vergar a atenção para temas complexos, ou que pára narrativas alheias para protestar contra um aspecto elitista ou homofobico do que está sendo dito. É receita para ser deixado de escanteio. O pior é a cada dia vai aumentando a discrepância, a turma senta pra beber cerveja e você ta lendo a disputa de poder em Uganda, tá lendo as formulas de ruido branco, rosa e marrom. Aí você acha que pessoas de humanas tratam política com muita firula espiritual, e nao exergam as clarezas e tendencias estatisticas de cada acontecimento; vê que grande parte do movimento tem interesses imediatos e no mais só querem fumar maconha. Aí voce acha que as pessoas de exatas desperdiçam toda a ciencia calculando vendas e financiamentos nos bancos, e defendem o mercado falso-livre. Ai voce acha que o pobre oprimido te ouviria, mas ele não entende nem a situação de inércia que vive, não leva a sério um falante de classe media alta, nao sabe nem por que seu trabalho paga pouco, não tem nem tempo livre pra pensar no que você está dizendo. Aí você ataca idéias soltas de meios amigos por aí, uma luta fantasma sem retorno, e te chamam de terrorista social, de hostil. 
Talvez no partido você achasse identidade, mas quantos ali estão pensando e discutindo com o mundo real? Não me dispus ainda por medo de perder a escolha de opinião e interesses e cair no pragmatismo de colar cartazes e viajar para passeatas. Fico com a sensação de que o partido te coloca na posição de grupinho confortáfel e como os leigos, tende a bloquear novos discursos, idéias não hegemonicas do grupo. Quando vejo um comunista de partido demonificando e fechando o diálogo com um playboy cursando economia, fico pensando se percebem que passam mais tempo escolhendo nome de chapa do que estudando novos meios de opiniao e intervenção. A coisa de ser grupo tende a ignorância, paradoxalmente com a solução geral que seria o comunismo sem competitividade. Talvez porque haja competição entre grupos e eles se endureçam.
Logo, desolado, cansado e ainda sim necessitando de afeto, sinto um vazio gigante no peito, uma falta de rumo, uma canseira de ser eu mesmo. Estudar, ler politica, as coisas do mundo real requerem julgamento e reflexao ainda do ponto de vista do eu cansado. Então acaba que todas as atividades que circulei requerem juntas uma boa disposição do coitado. Boa disposição vem nos pequenos momentos em que você observa uma pessoa usando uma linha de raciocínio que voce inseriu dias atrás, são das maiores alegrias. Boa disposição vem com carinho, com cumplicidade, com troca de informação e reconhecimento do esforço. Como tá faltando tudo isso e já é tarde da madrugada, vomitei esse texto ao retirar o volume 1 das "crônicas de gelo de fogo" da caixa de colecionador. Se aqui não to solucionando nada, vamo dar um tempo, em outra terra.. Falou!

sábado, fevereiro 18, 2012

Cocaína na Colômbia


 Os produtores: 
 "Levando em consideração que cada produtor rural possui em média dois hectares de terra, a coca passou a ser o produto com melhor rentabilidade e custo-benefício dessa zona montanhosa, úmida e fria. O mais intrigante é que o exército sabe de todas e de cada uma dessas pequenas plantações, que juntas formam centenas de milhares de quilometros quadrados de cultivos ilícitos." "Outro produto que poderia ser cultivado na região seria o café. Mas a diferença na rentabilidade é muito grande. A primeira colheita da coca pode ser feita depois de 5 meses de semeadas. E depois, a cada 3 meses podem realizar novas colheitas com a mesma produtividade. Já o café conta com apenas 2 colheitas por safra e a segunda já não é tão boa. Por isso, 90% dos produtores optam pela coca. Geralmente, os camponeses não precisam andar muito para vender o requisitado insumo. Atualmente, nessa zona, os preços estão em cerca de 4 reais o quilo de folha de coca." Segundo o líder e autoridade indígena da etnia Nasa'yuwe, Marcelino Yafue, as políticas de substituição de cultivos nunca chegaram as esta região. "-pedimos ao governo que nos ajude com algum incentivo para substituir as plantações. Se houvesse um programa de financiamento, garanto que quase todos os camponeses iriam buscar novas alternativas. O governo diz que não podemos plantar coca, mas não nos oferece uma saída, uma solução efetiva. Não vamos acabar com as plantações de coca e morrer de fome depois.", enfatiza. Grande parte do dinheiro que deveria se rinvestido na substituição dos cultivos foi concedido a grandes proprietários de terras e megaempresários, patrocinadores de campanha e amigos de políticos como o ex-ministro de agricultura do governo Uribe, André Felipe Áreas. 
Combate ao narcotráfico:
 Num município de 30 mil habitantes, havia pelo menos 12 tanques de guerra, 3 mil soldados. Com essa estrutura militar, como é possível que centenas de toneladas de cocaína passem por ali todos os meses? A questão é muito simples. O exército não combate o narcotráfico. A luta é política, e contra a guerrilha. Os narcotraficantes são homens de negócio e não se envolvem nessa briga. "-Você pode perceber que quando divulgam uma foto do exército destruindo um laboratório, nunca aparecem as pessoas que foram presas no lugar. Porque nunca há pessoas presas nessas lugares, tudo é negociado. Eles queimam parte do laboratório, tiram as fotos e se vão." relata a moradora da zona rural de Corinto. "É muito fácil dizer: 'as FARC são os narcos'. Isso serve para política, para a sociedade, para criar uma imagem midiática. Mas a realidade é muito mais complexa. O que fazem é vigiar os cultivos em parte do país e criar uma pequena parte da pasta base de coca, as FARC não criam nem exportam cocaína. Os maiores narcotraficantes são os paramilitares Los Rastrojos, Los Urabeños e o Exército Revolucionário Popular Anticomunista (Erpac). Então as coisas não são como dizem" resume Ariel Ávila, que há 10 anos investiga o conflito armado. Em entrevista pouco antes de ser morto, o líder das FARC, Alfonso Cano, falou do que ele classificou como a luta da guerrilha marxista-leninista para permanecer à margem do narcotráfico. "Não tem sido fácil já que nos últimos 30 anos a Colômbia foi permeada e contaminada, dos pés à cabeça, pelo dinheiro do narcotráfico: as instituições do Estado sem exceções, indústria, setor bancário, o comérico, a política, o agrário, os famosos, as forças militares, a igreja e, em geral, o conjunto do tecido social. O narcotráfico não é problema das FARC. É fenômeno nacional, mundial, e deve ser combatido com estratégias convergentes encabeçadas pelos primeiros responsáveis e também as grandes vítimas desse câncer: os países desenvolvidos" ressalta Cano. A Colômbia produz cerca de 50% da cocaína mundial, movimentando 1 bilhão de dólares por ano, sendo que 97% vai para os EUA, maiores consumidores de drogas do planeta. O que rege as políticas antidrogas ainda é a velha idéia, que vem dos EUA, de atacar com todos os meios militares o narcotráfico. Este combate é seletivo e não ataca, por exemplo, os políticos, grandes empresas, e a tantos que acumulam riquezas financeiras com esse negócio. O Narcotráfico não vai acabar dessa maneira. 

Extraído e reorganizado de reportagem de Fania Rodrigues à revista Caros Amigos de Dezembro de 2011.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Valsinha

Olhe os solitários


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Monster Beats

Começaram a me zoar de “o comunista mais consumista do mundo”. Só porque comprei 5 fones de ouvido em um mes.
Veja, a questão do capitalismo, só pra abordar rapidinho, é que você é meio obrigado a comprar varias vezes pra saber a verdade. O mercado esconde quem tem o melhor som o melhor produto, entao vai o bobo compra um fone fechado que tem o baixo poderoso. Dai leio que ele nao define claros. Ai peço pra testar os da loja. Aí testo os da AKG e dou um abraço no vendedor, de tão excelente a qualidade, compro um grande confortavel e um medio, ambos semi-abertos. Ai vou correr na rua com o medio, correndo rapido por causa do Power Metal. Aí pum! um lado fica xoxo, provavelmente por ter pingado suor. Nao fica horrivel, mas parece q morreu o supertweeter, sumiu o “uau” dos agudos. Me desfiz dele. Dai comprei dois intra auriculares, dois pq a Edifier tinham dois modelos diferentes na mesma faixa de preço (80) e eu sabia q um seria pior.. (os pequenos da akg so achei modelos novos por 200 reais dai nao quis). Como previ, um tinha um sonzinho estalido, o outro um belo som encorpado, tinha o emissor bem maior tb. Sem buracos pra entrar suor, e vedando o tecno repetitivo da academia, passei a malhar tranquilamente.
Mas então, usando o grandão no pc percebi que começava a sentir dorezinhas no ouvido apos algum tempinho. Achei mesmo q o grave tava mto grave. Fui equalizar, e ficou feio. Dai fui ler. Bem, acontece que as musicas ja sao balanceadas pra soar como os produtores querem, entao um som de qualidade deve emitir boa qualidade em todas as frequencia sem precisar de equalização. Eu sabia disso mas quando ligava a equalização techno do Winamp, o metal ficava animal!
A questão é filosófica na verdade. Se você botar o volume no talo, se botar 5 chicletes na boca, se quiser beijar com sucção máxima, vai aparentar que está sentindo com mais intensidade. Acontece que este patamar é efêmero, rapidamente sua sensação é ajustada para evitar o excesso e seus danos. O timpano relaxa perante volumes altos, a lingua fica sem graça após sabores demais, a boca fica doendo e perde a sensibilidade apos o beijo desesperado. Nem vou abordar restaurantes “rodízio a vontade”..
O que eu queria sugerir aqui é isso:
1) qualidade de som bom e até as ruim dispensam equalizador ( voce ouve melhor por mais tempo todas as frequencias) ( sugiro fones akg e edifier, alem de caixas edifier no momento)
2) a intensidade da sensaçao é relativa ao estimulo. Tente aprender a sentir mais com menos, traz menos danos a saude e a vida social (no caso de bebedeiras sem limite e dorgas), desligue o equalizador do mundo. Seu ouvido agradece.
Ps: minha audiometria está perfeita, mesmo após um mês de muuuita musica nos fones novos! To reduzindo o volume gradualmente
:)
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quarta-feira, dezembro 22, 2010

Vide acima

Se não estou concentrado em algo, eu canto. O dia inteiro. Quando estou distraído acabo uma e emendo outra. Nesse momento é STARGAZERS. É doentio. Mas gosto, é música, me alegra. Já que nos comunicamos por voz, o canto tem um apelo muito pessoal, é música e comunicação. Falando nisso, preciso levar adiante meu projeto de banda de metal comunista. Bem:
Comecei a gostar de música aos 3-4 anos, na aula de flauta da escolinha. O importante era você sintonizar na melodia e não ouvir a sua própria flauta no meio dos colegas. Daí em diante cantava aberturas de desenho animado, música brasileira. Só descompensou quando ao estudar inglês passei a querer entender-decorar-pronunciar as letras de músicas que antes cantava em embromation. Aí em 2002, quando tardiamente passei a gostar de Metal, a mania deu mais um passo, porque não bastava cantar mais, tinha que rasgar e causar, muito alto! Aí claro, estraguei minha garganta novinha. Não faça isso. Procure um professor de canto se quiser abusar, cantar alto, ou bem. Mas posso dizer umas coisas que percebi, lembrei disso tentando fazer uma amiga cantar a todo custo outro dia.
Tenha ouvido. Não adianta muito cantar se você não diferencia um nota grave de uma aguda. E isso vem com prática e produção. Assobie, cante, toque, tentando ir e vir nos tons pra ficar igual. Você deve ser capaz de imitar uma melodia simples de primeira, assobiando. Pratique raindrops keep falling on my head, tem bons agudos e graves.

Não faça força demais. Se você tiver hernia inguinal, você está fazendo errado. Eu cantava tão forçado nos shows de metal, que era batata, em 1hora estava com uma puta dor de cabeça que piorava a cada gritada. Isso não dá muito certo. Observe no espelho se suas veias do pescoço saltam quando canta, é quando está forçando; olhe no video quando eu forço. Não compita com sua garganta, tem que fazer o ar fluir com menos obstáculo, se concentre em fazer a voz com a garganta relaxada, molinha, vai mudando a forma até acertar o som sem fazer força. Use a barriga, peito garganta boca nariz, deixe o ar passar por tudo leve. Não tenha medo do seu bafo, pra cantar tem que fazer soprar mesmo, senão não sai nada.
Tente cantar com sua própria voz. Imagine que nossa voz não tem alcançe infinito. É um tubo de ar, com sistema de pregas de carne, com um timbre mais ou menos pré definido. O saxofone não sabe fazer som de piano, então não fique se esforçando demais em parecer o Chris Cornell. Eu fico insistindo nisso e me machuco. Não faça isso de rotina, só quando estiver bêbado.

Sobre a sua própria voz. É dificil acha-la, eu nunca achei. Fico mundando de idéia sobre como basear a força da voz e a posição da boca. Comecei pensando no Alladin e no Fantasma da Ópera, como sendo o jeito certo, cantar macio, alto e claro. Ainda acredito nisso, mas só isso não funciona em outos estilos de música, imagina cantar QUE PESCAR QUE NADA sem rasgar a voz.. Aí passei a procurar um jeito de rasgar com mais amplitude. Passei a tentar uma posição tipo a voz do He-Man com sustentação do Pavarotti em La Donna è Mobile. Mas ainda sim tava fazendo muita força. Um cantor me falou pra buscar um boa transição da voz "Chest" pra "Head" (aquela voz fininha que você tem q mudar a garganta), daí comecei a cantar muito macio, mas também não funcionou no metal. Atualmente.. imito um curto YODEL (o do link é fantástico) e parto mais ou menos de onde a voz se posiciona sozinha.
Mais do que outros instrumentos musicais, a voz precisa ser amaciada e usada pra pegar liga. Você realmente vê diferença quando fortalece seu diafragma e passa a respirar com mais controle, vê sua laringe pegando o jeito de fazer mais barulho. É treino.
Vai tentando, faça sucesso!


segunda-feira, dezembro 20, 2010

Tudo numa coisa só

Tenho mil ideias, mas por preguiça ou vergonha, não cumpro boa parte do que meu racional planeja. Já me comprometi em mergulhar em todas situações que eu perceba que estou evitando só por vergonha, mas muitas vezes acabo fugindo pra não enfrentar a boa dose de trabalho, de empenho que seria necessária. O impeto acaba em segundos, sinto que não vale a pena o esforço em cima da hora. Então se venço o instinto na lezeira e na timidez, tudo fica certo? Como estabilizo a mente pra fazer isso?
No filme Human Nature, o cientista manda o macaco fazer exatamente o oposto ao que tem vontade. Isso envolve preguiça, sexualidade, comilança, tudo. O macaco vira um intelectual gentleman, e em seguida fica louco. O instinto tenta nos guiar o dia todo, vindo em fortes fissuras de 5 minutos, pr'uma vida de vontades e derrotas. Não se constrói muito neste mundo mais só fazendo o que vem na cabeça. Então a chave seria pensar muito sobre o que realmente precisa fazer? Mas não funciona, arborizar as idéias constantemente dá uma grande falta de concentração. Se você observar, as pessoas que mais produzem e se concentram, são as que menos param pra pensar sobre o que fazem.. apenas fazem, como se fosse outro instinto em cima do animal. Um que funcionaria desligando tanto o animal quanto o racional, mantendo o foco, o funcional. O tipo de instinto que tanto falam que é o segredo pra bater o penalty de copa do mundo, o transe.
Mas como não pensar em nada? Tenho contas a pagar, pessoas a conquistar, barriga pra encher, se saio da minha cabeça o mundo me devora. O cidadão teria de se sentir seguro pra cair de cabeça no trabalho, na tarefa. Isso envolve estabilidade em todas as esferas da vida, pra dar base a uma consciência focada. Pensar na vida integrada à sua boa função mostra a responsabilidade de resolver as pendências e ser justo com as pessoas em volta. Qualquer livro de auto-ajuda já teria me dito isso, mas eu não percebia a necessidade de jogar a mente fora do corpo pra realizar o máximo. Provavelmente quem errou o penalty foi a vida do Baggio, não a perna dele.
Tenho conhecidos depressivos que racionalizam ideias brilhantes o tempo todo, mas o impeto passa em 5 minutos. Eu nos dias empolgados quero fazer de tudo, e a cabeça ricocheteia. Acho que este tal foco está finamente equilibrado entre depressão e mania, e exije muita energia pra manter tudo andando.
Há uma cena especifica que me ilustra como se daria o full power de função do indivído. Imagine o alinhamento de todos seus problemas resolvidos, os olhos fechados acreditando no mundo que está construindo no que faz, os braços abertos agarrando e unindo os bons momentos com seus semelhantes. Tem que acreditar sim no que está fazendo. Numa culminação rasgante de foco, de transe, faz seu melhor, faz.
Hadou Ken.
E gol.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

"...Então, as eleições, o que são? São um teatro. Oficialmente os eleitos representam o povo. É o que está na Constituição. Na realidade, eles representam perante o povo, são atores teatrais. Mas, com um detalhe: eles não se interessam pelas vaias ou pelos aplausos do povo. Eles ficam de olhos postos nos bastidores, onde estão os donos do poder. É isso que é importante..."
Fábio Konder Comparato, na Caros Amigos de Out/10

terça-feira, setembro 21, 2010

O balanço da rede

Novos meios, velhos fins. A internet abriu a porta da informação, isso é muito revolucionário mesmo, dando conhecimento ilimitado pra quem quiser procurar. O problema é que apesar disso, não houve revolução social nem nada. Os meios de informação existem, você pode saber a verdade sob qualquer tablóide pela boca de intelectuais de todos os continentes, se entender o ingles arrastado. Então seria de se esperar uma grande guinada de opiniões, uma vez que toda a mídia velha é dominada pelos muito ricos, passando sempre ficção científica pra massa. Agora que temos os porquês na mira do mouse, deveria estar todo mundo na rua, mudando o sistema. Mas não. Fico pensando em como mudar isso, como jogar a favor das correntes e usar a rede pra dar update na cabeça da galera.
O que se vê é que a maioria usa a internet para continuar em sua bolha local. Segundo estudo das empresas Pew e Nielsen, o tempo gasto atualmente em internet no mundo é dividido entre: 1)Ver conteúdo fixo (42%), 2)”Atividades de meio”: Email, compras, buscas, etc (36%) , 3)Redes sociais (22%). E todas elas podem assumir um caráter tão quadrado e localizado quanto da TV.
O conteúdo visto é canalizado por grandes portais de informação, como na mídia antiga, porém com trabalho jornalístico ainda pior, o que favorece os sites das próprias agências velhas. O jornalismo e criticismo produzido por blogs tem grande dificuldade de exercer democracia, uma vez que os mais lidos quase sempre são filhos de grandes marcas. Os que conseguem um lugar ao sol não são capazes de competir com a representatividade dos grandes portais, e acabam sendo contratados por algum setor de poder para se sustentarem. Outro acesso a conteúdo é por meio de indicações de amigos, e isso vou explorar adiante.
Eu chamei de atividades de meio aquelas que não tem um conteúdo por si só, mas só apenas formas de acessar e transmitir. Também ficam localizadas, pois o email trabalha principalmente com conhecidos, a busca é por termos do seu universo local, as compras são apenas extensão do que se compraria no shopping, com as mesmas necessidades artificiais. O google.com recebe 80% das pessoas que navegam, usando quaisquer destas funções. Mais uma vez, tudo encaixotado no modo de vida individual não dá asas a ninguém, uma pena.
As redes sociais são a faceta que mais cresceu nos ultimos anos, sendo que já são acessadas por mais gente do que os serviços de email (aprox. 70% de todos usuários). O Brasil é onde as redes sociais são mais fortes: 80 a 90% dos internautas acessam, mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Será pela cultura do corpo sarado brasileiro? A rede social consiste em fotos e conversas abertas para um grupo de amigos, de modo que você pode não apenas ter as relações, como mostra-las, ao contrário do imediatismo da vida real, ou da privacidade do email. Outra vantagem sobre a comunicação privativa é poder passear por catálogos de pessoas, vencendo a timidez e a rotina com um comentário amistoso aqui e ali. Ao contrário do que se imaginaria, no entanto, o alcance da rede é mitigado pela opção por privacidade, e na maioria das vezes se tem muito menos acesso online a novas pessoas do que se teria na rua, no bar. O que a rede disponibiliza são fotos e nomes, e as informações de perfil raramente ajudam a fomentar um diálogo, uma vez que se compõem por letras de música sem contexto. Acaba sendo uma atividade individual de passear por fotos de gente bonita, sem qualquer integração ou rompimento com a conhecida superficialidade da tv.
Ao que tudo indica, a internet está falhando em realizar seu potencial de democratização e união dos povos. Está funcionando mais como linhas e núcleos do que como rede realmente. Temos então que utilizar ao máximo as ferramentas que existem, mas sem alimentar falsas esperanças de que o saber é absorvido por osmose se houver acesso. Estão todos ocupados trabalhando e competindo.
É preciso haver um trabalho de evolução da internet, de sentimento de necessidades em conjunto. Não consigo prever direito como, mas a informação democrática deveria ouvir todos ao mesmo tempo, e nunca grandes veículos particulares. Talvez com um grande processador de pareceres individuais a massa poderia despertar por si só.. mas isso já foi pensado e deturpado nos videogames “Metal Gear Solid”. Por enquanto a internet é injusta.
Se o mundo real ainda impera, são as relações locais e pessoais que poderão romper com a hegemonia dura. Explorando o veículo de comunicação pra falar com pessoas conhecidas, pode-se extender o ambiente de conversa de bar para um grupo maior, mas ainda pautado por relações pessoais de confiança e interesse, senão não funciona. Por isso, pra tirar o máximo proveito da internet, na verdade você tem que sair dela, participar de discussões, trabalhos e amizades em carne-e-osso, onde se pode dar acesso a informação meio que empurrado, já que a boa educação ensina a prestar atenção no que se está conversando. Falando cotidianamente de feminismo e socialismo, por exemplo, eu posso dar acesso a informação de qualidade a quem nem internet usa, até a quem assiste novela. O poder da conversa de cabelereira, de garçom, de taxista é fantástico se puder expor o outro mundo possível. É aquela máxima de pensar globalmente e agir localmente, no âmbito mais importante, o da informação. Por isso falo a vocês, meus amigos. E convoco todos os idealistas a serem tagarelas de bar!
Fontes: http://www.visualeconomics.com/how-the-world-spends-its-time-online_2010-06-16/ http://www.internetworldstats.com/stats.htm

sexta-feira, setembro 10, 2010

O ninho do tigre

1) A velha entra na sala mancando, a perna carcomida exalando o cheiro de sempre, cheiro de pronto-socorro, de pedaço que morreu e não avisou o dono. Modelo completo: diabetes, hipertensão, tabagismo, obesidade, colesterol, e "só dois dedinhos de cachaça no almoço" por 50 anos. -Dói a perna há 6 meses, não tem um remédio? - Mão na testa, olho no relógio, faltam 10 horas de plantão. O dia-a-dia de hospital é isso, uma impotência, um eterno “sinto muito, seu corpo está em frangalhos e não temos o que fazer”. Fico me sentindo um homeopata, porém honesto. Pra que serve medicina então?

O que salva vidas não é o atendimento médico de urgência. Aquilo é bacia das almas, quebra galho pra meia dúzia de mal-aventurados, pra quem muitas vezes não há o que fazer, realmente. O que não se pode subestimar é o valor da ciência de saúde humana, nisto incluindo médicos, químicos, físicos, etc. Esta ciência sim mudou completamente nosso modo e expectativa de vida, norteando os padrões de habitação, alimentação, higiene e atividade física, além de intervenções diretas, como as vacinações e programas de saúde preventiva. Mas ainda há uma barreira entre a realidade dos meios de saúde e a concepção popular do médico e do hospital. É isso que precisa mudar. A senhora-tigre que chegou andando na primeira linha deveria ter uma noção geral de como as doenças crônicas que enumerei vão estragar seu corpo sem que ela sinta quase nada, e depois do estrago nenhum remedinho irá de fato remediar a situação.

A saúde é mal distribuída, sim. Mas mesmo com um batalhão de médicos não se poderia seguir esperando o povo ficar doente pra vir nos 15 minutos de consultório ter uma formação de opinião sobre saúde. Essa história de CONSULTE SEU MÉDICO pra tudo gera um misticismo sobre doenças e remédios, como se fosse só parar na oficina e seu corpo sair novinho, pronto pra mais 100 anos de podridão. Talvez um dia.

Por enquanto, é necessário conscientizar todo mundo de que VIDA se deve levar pra evitar aparecimento e complicações de doenças comuns. Qualquer um sabe que cigarro faz mal, mas esta idéia vaga não dá liberdade de escolha real. Dá câncer, mas quase ninguem sabe o que é câncer. Saber que mata não é o bastante, se vamos morrer de uma forma ou de outra. Além disso, morrer é a parte mais fácil dessas mazelas todas, o problema é o caminho até lá. Tigres sofrem um bocado.

2) Nisso de conscientizar, o médico tem as mãos atadas. Além de ter pouquíssimo tempo no amontoado de pacientes que tem de atender, seja por lucro ou por demanda local, ele lida com adultos, o que estraga de vez o resultado. Adultos não se convencem de nada. Sou o mais cabeça-aberta dos que conheço e demorei quase 5 anos pra virar socialista, mesmo com doses diárias de injustiça social aonde quer que eu fosse em São Paulo e amigos tentando me explicar. Sim, acredito que adultos podem mudar radicalmente de opinião, mas a um custo de tempo e retórica totalmente inviáveis em larga escala. Quem tem que aprender sobre o mundo são as crianças.

E novamente não pelo médico. Quem tem tempo de estabelecer um canal de comunicação de confiança com os pequenos é o professor, o ambiente escolar. Entendo que o currículo escolar tem seus usos, porém é totalmente desligado da vida real. Eu gosto de saber distinguir distância, velocidade relativa e aceleração quando estou num veículo. Mas a escola deveria ensinar conteúdo mais pragmático, como cuidar da própria saúde, política atual e seus motivos, legislação, culinária, ensinar a realidade da cidade e do campo, formar um adulto. Seriam coisas muito mais úteis agora, do que reconhecer o filo da água-viva (por mais interessante que seja)... Acaba sendo uma questão mais ampla, da função social da escola. Enquanto a escola está ensinando terciarismos, quem “educa”(e tortamente) pra vida é o desenho animado, o rambo, o DATENA!

Há um cuidado em não falar muito de realidade com a criança, pois é jovem e inocente. De que adianta formar um bocó de 18 anos que em 5 minutos de realidade muda todos seus conceitos de vida? A criança precisa ver que tem gente passando fome, que o dinheiro acaba, que doença e cigarro mata com sofrimento, saber quem planta a comida e quem queima a comida pra subir o preço. Quase todos adultos de hoje teriam de ser re-alfabetizados num sistema desse. Não é nem questão de melhorar a saúde da população, estamos falando da saúde da sociedade mesmo.

domingo, junho 13, 2010

Olho no lance..vendido!

Começou a copa, vi 5 jogos inteiros em 2 dias. É sempre um momento especial pra mim, o único na verdade em que paro para acompanhar esportes, além das finais do são paulo. Eu achava que era um evento mais puro, com menos interesses comerciais que os torneios de clubes. Mas vendo a carga publicitária que foi veiculada em qualquer midia nos ultimo meses, vejo que fui inocente.
Eu tenho um receio muito grande com esportes. Começou quando pequeno, ao sentir o desespero das competiçoes de natação e de judô sem nem saber pra onde eu estava indo na vida, comecei aos 6, 7 anos! Desde então, com aulas de História mostrando que o pão e circo romano ainda estava a pleno vapor, com amigos e parentes falando exclusivamente disso em reuniões, com um irmão dedicando horas diárias a ler dezenas de blogs de comentaristas esportivos, fui pegando uma nhaca real da coisa toda..menos da copa.
O futebol de clubes só fala de salarios, compra e venda de jogadores, estica os campeonatos pra arrastar milhões aos estadios durante o ano todo, faz os fãs comprarem camisa pra mostrar a força do time, além da publicidade para emissoras, estadios, uniformes. All about money, e o povo compra, discute e rediscute na maior profundidade uma coisa que é igual todo ano.
Eu pensava que a copa era mais tranquila, pois nao havia negociaçao de jogadores, salarios discrepantes, unia o país. Mais aí que está. Ao unir cada país em seu territorio, obtem-se uma unanimidade mundial de ânimos, e então basta adquirir o titulo de patrocinador oficial para fazer uma campanha publicitaria monstruosa, mundial, sem birra por parte de ninguém. E daí nos países tem os patrocinadores de seleção, que dão mais força ainda à magia pois vinculam a paixão do torcedor à marca do produto. Isto não pode ser feito nos clubes, pelo menos no brasil, pois os campeonatos sao razoavelmente equilibrados e geraria mais birra do que simpatia por um produto se associado a um time.. Eles estampam a camisa, mas não fazem alarde do vínculo. O mais perigoso que vi recentemente foi a Bozzano (marca de cosmeticos masculinos) que patrocinava o corinthians e fazia propaganda da marca nos intervalos de jogo, como se a torcida corinthiana fosse realmente seu alvo, seu nicho. Me confundiu a estratégia deles, quando nas etapas finais do paulista passaram a estampar a camisa do São Paulo..não consegui entender a quem se dirigiam.. Mas a publicidade tem isso de espalhar o nome, nao importa o efeito.. pelo menos ficou gravado na minha cabeça o fabuloso slogan: "Bozzano, é bom!"
Bom, acho complicado ficar repudiando a publicidade que sustenta o sistema, acho menos hipocrita te aconselhar a repudiar o próprio sistema, pois o povo trabalhador(mesmo de terno) é ignorante e não tem tempo de levar a culpa. Vamos sorrir, acenar, e mudar o sistema no 2o tempo. Raça Mundo!
*Ah, que fique claro que apoio ferozmente a pratica de esportes para fins recreacionais e de saúde. O veneno está na competição e na grana, divindades tipicas capitalistas, aliás.

sexta-feira, junho 11, 2010

Nós que aqui estamos

Após mais uma tentativa de ler só material politico, me peguei lendo uma aventura de ficção nestas férias (A Estilha de Cristal). Ao começar tinha já o remorso de não estar consumindo nada util, nada que construisse minha argumentação para um mundo melhor. Foi uma aventura fantástica, com muito "near death experience" e sangue rolando. A narrativa é tão absorvente que o leitor se sente realmente a beira do fim em mais de uma ocasião. Tendo você escapado, milhares de companheiros não tiveram a mesma sorte, e tombaram, como diria o autor. Isso me fez colocar em perspectiva mais uma vez a fragalidade que é nossa vida, como tentamos fugir dessa realidade a todo custo, e como fazemos isso errado.
Morre-se facinho. Não se pode esquecer que mesmo com todas as politicas publicas de saúde, com repressão à violencia, airbags, antibioticos ou SAMU, mesmo com toda essa máquina de preservação, a vida se vai sem aviso. Ja vi vizinho que morreu de meningite em 1 dia, professor com cancer em meses. O noticiário (pare de assistí-los) sempre lembra: morreram tantos sem mais nem menos. Mas não queremos pensar nisso. Qualquer filme de drama nos assombra com ameaças de morte, é terrivel.
Acho que a opinião geral oscila entre não querer lidar com isso, seguindo as demais necessidades da vida (fome, contas a pagar), e lembrar da morte, momento apos o qual se passa algumas horas acreditando no Carpe Diem. De uma forma ou de outra, se fingindo de imortal ou desesperado, cada pessoa se individualiza, valorizando sua própria existência como se fosse tudo que lhe interessasse. Isso sim é muito triste. Pois ao erguer uma barreira entre sua vida e o mundo, se perde o mundo.
Ateu ou misticista, você deve perceber que tudo que fazemos e sabemos é graças à coletividade, intelectual e de ação, e que após nossa morte é este coletivo que permanece. Então que sentido há em lutar contra o fim por meio da individualidade, se esta ja o tem por certo? Não, para o resto do mundo não faz qualquer diferença se você aproveitou ou não o dia. Só sobrevive o que você deixa nos outros, constrói para os outros. Ao contrario da busca individual, que só cria ansiedade e incerteza, a aceitação de nossa fragilidade leva a humildade e paz de espirito, entendendo o próximo como a parte de você que de fato sobreviverá para contar história. Talvez por isso a solidão seja tão temida quanto a morte, são a mesma coisa na pratica..
Em vez de se preocupar com o tempo que lhe resta, use suas forças para fazer a diferença nas pessoas que te cercam. Pois os dias passam num segundo, e o provavelmente o lema mais apropriado para tudo valer a pena seja outro: Carpe Mundus.